Traficante tem fortuna avaliada em R$ 3,4 bilhões

Pais de Ramirez Abadia estariam envolvidos em operações de lavagem de dinheiro comandadas pelo traficante

07 de agosto de 2007 | 15h17

O narcotraficante colombiano Juan Carlos Ramirez Abadia, preso nesta terça-feira, 7, pela Polícia Federal em São Paulo, tem uma fortuna avaliada em US$ 1,8 bilhão (R$ 3,4 bilhões), segundo o Departamento de Estado norte-americano. Além disso, ele é acusado de dever dinheiro a muitos outros traficantes e de matar vários deles.   Veja também: Operação contra tráfico de drogas prende 13 em 6 Estados Traficante colombiano está no Brasil há 3 anos, diz PF   Conhecido como "Chupeta", entre outros apelidos, o traficante está envolvido com drogas desde 1986. Em meados dos anos 90, sua organização já enviava toneladas de cocaína anualmente para as cidades de Los Angeles e San Antonio através do México. Células operavam também em Nova York.   Segundo a Embaixada dos EUA em Bogotá, o traficante começou a "carreira" no Cartel de Cali, aliando-se posteriormente ao Cartel de Norte del Valle. Fundou uma empresa de medicamentos chamada Ramírez e Cia. Ltda. no final dos anos 1980, que depois mudou de nome para Disdrogas Ltda. e passou para as mãos pessoas de sua confiança que pudessem proteger seus bens, entre elas seus pais, Omar Ramirez Ponce e Carmen Alicia Abadia Bastidas.   Quatro das pessoas encarregadas de administrar a empresa foram incorporadas no ano passado, pelo Departamento de Tesouro dos Estados Unidos, à lista de traficantes de narcóticos especialmente designados (SDNT, na sigla em inglês). Eram "testas de ferro" de Abadia.   A designação como SDNT, da qual "Chupeta" já fazia parte, deixa a pessoa sujeita a sanções econômicas. São congelados os bens que se encontram nos Estados Unidos e fica proibida qualquer transação financeira ou comercial.   Operação Farrapos   De acordo com as primeiras informações, o traficante estava no Brasil há três anos, e foi detido na madrugada em companhia de uma mulher, também colombiana. Ramirez-Abadia é considerado um dos maiores traficantes de drogas da Colômbia e está no topo de um organograma produzido pelo Departamento de Tesouro norte-americano. A Agência Americana Antidrogas (DEA) oferecia até US$ 5 milhões em troca de informações sobre o seu paradeiro. A Operação Farrapos prendeu na manhã desta terça pelo menos 13 pessoas envolvidas com o esquema - três empresários seriam 'laranjas', segundo informações policiais.   Segundo informações policiais, Ramirez Abadia comandava um esquema de lavagem de dinheiro originário do tráfico de drogas internacional em São Paulo. A PF chegou até ele com o auxílio da Agência Americana Antidrogas (DEA). No local, a PF apreendeu diversos relógios caros, de marcas como Cartier, Bulgari e Rolex.   Ainda segundo informações fornecidas pela Polícia Federal, Ramirez Abadia era dono de diversas propriedades de luxo no Brasil. Uma delas, uma casa de praia em Jurerê, em Florianópolis, estaria sendo vendida por R$ 3 milhões. Além desta, a polícia investiga outras propriedades em Angra dos Reis, Curitiba, Porto Alegre e uma fazenda em Minas Gerais.   Por volta das 3 horas, 20 agentes da Polícia Federal chegaram ao local. Não houve resistência à prisão e, segundo a PF, ele teria confessado ser, de fato, o traficante procurado pelos Estados Unidos. Na residência, a PF encontrou diversos passaportes e, pelo menos, cinco carros na garagem.   A operação, segundo a Polícia Federal, tem como objetivo desarticular uma quadrilha internacional de drogas. Os agentes da PF cumprem 16 mandados de prisão e 28 de busca e apreensão nos Estados de São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul.   Perfil   Nos anos 80, antes de começar a trabalhar no tráfico de droga, ele era um jovem de classe média alta, universitário e adorava cavalos. Em pouco tempo, se tornaria em um possível sucessor dos barões do Cartel de Cali, junto com o amigo Juan Carlos Ortiz. Em 1996, os dois se entregam à Justiça colombiana. O Departamento de Justiça dos EUA pediu sua extradição nessa época, por envolvimento com o Cartel de Norte del Valle.   O país não foi atendido e Chupeta, como é apelidado, cumpriu quatro dos 24 anos a que foi condenado - o traficante foi beneficiado pela confissão dos crimes. Suspeita-se que o traficante mantinha controle sobre os negócios mesmo dentro da prisão. A poucos dias de ser solto, seu amigo Ortiz foi assassinado. A autoria do crime foi atribuída ao novo sócio de Chupeta, Wílber Varela.   Ramirez Abadia é um dos nove membros do Cartel de Norte del Valle processados pelos EUA. Ele é acusado de enviar anualmente centenas de toneladas de cocaína a Los Angeles e San Antonio, por rotas marítimas e aéreas que partiam da costa do México. O traficante também é responsável pela criação sua própria rede distribuidora de drogas em Nova York e se dedicava ao transporte e comércio de heroína. Até a sua prisão, suspeitava-se que o traficante se escondia no Chile, Uruguai e Argentina.   (Colaborou Humberto Maia Junior; com informações da Agência Brasil)

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