Tasso Marcelo/AE
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Traficante impõe toque de recolher na Rocinha às vésperas da UPP

Abertura do comércio e circulação de moradores foram limitadas por Nem, chefe do tráfico, que estaria programando fuga

Pedro Dantas/RIO, O Estado de S.Paulo

09 Novembro 2011 | 03h03

A Favela da Rocinha, em São Conrado, zona sul do Rio, vive a expectativa de ocupação policial nos próximos dias para instalação de Unidade de Polícia Pacificadora (UPP). De acordo com a polícia, o chefe do tráfico local, Antônio Bonfim Lopes, o Nem, decretou desde quinta-feira passada toque de recolher às 22h para o comércio e moradores, além de limitar a circulação de motos.

Os líderes comunitários negam o toque de recolher, mas reconhecem que a situação é tensa por causa da iminente ocupação da polícia. Os moradores estariam mais preocupados com possíveis invasões de residências e saques que os policiais possam promover quando fazem incursões na comunidade. "Toque de recolher aqui é impossível porque as pessoas trabalham e o maior movimento do comércio é à noite", disse o presidente da União Pró-Melhoramentos da Rocinha, Leonardo Rodrigues Lima, o Leo.

Investigações da 15.ª Delegacia de Polícia da Gávea apontam que, apesar de falar aos moradores que vai resistir à ocupação policial, Nem tem pronto um plano de fuga. Entre os destinos prováveis estão Paraíba, Macaé (no norte fluminense) ou o conjunto de favelas da Pedreira, no subúrbio do Rio.

A vereadora Andrea Gouvêa Vieira (PSDB) disse ter recebido informações de moradores da Rocinha de que 50 traficantes deixaram o morro ontem pelo Laboriaux, área de mata no alto da favela. Líderes comunitários não confirmaram a informação.

O comportamento de Nem mudou nos últimos dias, segundo a polícia. Desde que assumiu o comando do tráfico em 2005, ele promoveu festas e shows na favela, além de exibir fotos dele e da mulher, Danúbia de Souza Rangel, em redes sociais na internet. Hoje, não fica mais do que 10 minutos nos eventos, proíbe fotos e uso de celular perto dele.

Mas na noite de domingo, depois de consumir uísque com ecstasy, subiu no palco durante um show para avisar os moradores que resistiria à UPP. Depois, foi levado por comparsas à Unidade de Pronto Atendimento da Rocinha. Acompanhado por 40 homens, ficou apenas alguns minutos sob cuidados médicos e saiu com o soro ainda na veia.

Desde domingo, o Disque Denúncia recebeu pelo menos 16 telefonemas informando sobre a ida do traficante à UPA e seu possível paradeiro. Para os investigadores, a delação anônima é um termômetro da insatisfação dos moradores da Rocinha com o líder do tráfico.

Uma das razões da queda de popularidade de Nem é o abrigo dado a traficantes expulsos por UPPs, em especial do Morro do São Carlos, na zona norte.

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