'Trabalhamos 23 meses na proposta. É frustrante'

Um dos autores da planta culpa a Anac pelos transtornos e diz que agora deve receber 70% do valor do projeto

Entrevista com

/ NATALY COSTA, O Estado de S.Paulo

19 Julho 2012 | 03h05

O consórcio MAG, formado pelo escritório de arquitetura Biselli+Katchborian e pelas empresas PJJ Malucelli Arquitetura e Construção e Andrade Rezende Engenharia, venceu licitação aberta em 2009 para a elaboração do projeto do Terminal 3 de Cumbica. Os estudos preliminares foram apresentados à Infraero e aprovados no ano passado. Os arquitetos Mario Biselli e Artur Katchborian estão decepcionados. "Fiz como se fosse o projeto da minha vida. É uma tristeza imensa. Não fazemos trabalho para ir para a gaveta", disse Biselli. Seu sócio, Artur Katchborian, falou ao Estado por telefone de Brasília, onde participou de uma reunião com a Infraero.

Do que se tratou a reunião com a Infraero em Brasília?

É a segunda reunião. Na primeira, fomos informados de que o projeto não seria usado. Hoje (ontem), foi o acerto de contas, porque eles estão rescindindo o contrato na etapa do projeto básico. O (projeto) executivo não vão fazer. Se tudo der certo, vão nos pagar 70% do montante (de R$ 22,6 milhões).

Com o processo de concessão, vocês imaginavam que isso poderia acontecer?

Quando saiu a privatização, começamos a temer pelo projeto. Mas, na verdade, não fiquei tão intranquilo. Pensei: bom, acho que eles vão analisar o projeto já em andamento, 70% pronto, seria uma economia para o concessionário. Mas não. É muito triste.

Vocês foram procurados pela concessionária?

Não. Não fomos consultados. Nem sei quem são as pessoas que vão assumir o aeroporto.

Acham que a Infraero tem culpa nisso?

Não é a Infraero, é a Anac. Quando eles começaram a providenciar as concessões, já havia uma licitação em andamento. A Infraero nem sabe que projeto será no lugar do nosso. Quando o aeroporto foi privatizado já tínhamos avançado no estudo preliminar e estávamos no meio do básico.

E quando souberam que o projeto seria descartado?

Trabalhamos 23 meses sem parar nesse projeto. É como se fosse uma gestação e você sofresse um aborto. Imagina dar a notícia para o time quando voltei para o escritório? Não era só a gente, tinha um batalhão de 50, 60 pessoas envolvidas. Aí vem alguém e fala 'olha, foi bom enquanto durou, vai ser outro aeroporto, outro desenho'. É muito frustrante para um arquiteto. Acho que merecia um final mais feliz.

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