Tour visita locais mais atingidos pelo Katrina

Agente de turismo organiza excursão de ônibus para mostrar efeitos do furacão de 2005 que devastou New Orleans; destruição ainda é visível

Patrícia Campos Mello, O Estado de S.Paulo

16 Janeiro 2011 | 00h00

Cinco anos depois do furacão Katrina, que matou 1.800 pessoas, inundou 80% da cidade e destruiu 182 mil residências, New Orleans, no sul dos Estados Unidos, não está totalmente recuperada. Cerca de 100 mil pessoas que foram embora depois do desastre não voltaram. New Orleans encolheu - de 455 mil habitantes passou para 340 mil.

A situação melhorou bastante, mas ainda há muitas casas abandonadas e os esforços de reconstrução não são fáceis. "O senso de normalidade só voltou mesmo no ano passado", disse ao Estado Barbara Robichaux, de 68 anos, que mora em New Orleans há décadas. Barbara organiza o tour de ônibus "Furacão Katrina: a maior catástrofe dos Estados Unidos", que mostra os locais mais atingidos.

O Estado havia entrevistado Barbara em New Orleans em fevereiro de 2007. De lá para cá, diz ela, alguns de seus amigos voltaram para suas casas e conseguiram empréstimos para reconstruí-las ou receberam o dinheiro do seguro. Mas Barbara acha que a cidade nunca mais será a mesma. "Houve uma mudança não apenas física, por causa da destruição. O Katrina mudou a atitude das pessoas, que saíram daqui e foram para outras cidades em busca de lugares mais seguros para morar, empregos e escolas melhores", diz a agente de turismo.

O caminho da reconstrução é longo. E, no caso do Katrina, ficou ainda mais difícil por causa de uma série de erros do governo dos Estados Unidos para lidar com o desastre. Na manhã de 29 de agosto de 2005, o furacão Katrina atingiu a região do Golfo do México. Por causa de uma falha de construção, os diques da cidade se romperam e boa parte das casas submergiu.

"O Katrina não precisava ter causado tanta devastação porque era previsto, mas o governo não tomou precauções", diz Miriam Greenberg, professora de Sociologia da Universidade da Califórnia em Santa Cruz, autora de estudo sobre o assunto. O sistema de diques tinha defeitos. A logística para retirar as pessoas das áreas inundadas não funcionou. A reação das autoridades foi lenta demais.

O governo federal americano gastou US$ 115 bilhões com a reconstrução e recuperação pós-Katrina. Na fase de emergência, semelhante à vivida na região serrana do Rio hoje, o objetivo era resgatar sobreviventes, buscar os corpos, fornecer trailers para os desabrigados, tirar a lama das casas. Depois veio o trabalho de longo prazo, de reconstrução de infraestrutura, ainda em curso. Cinco anos após a inundação, a reconstrução dos bairros mais pobres, os mais afetados, anda a passos de tartaruga.

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