Tornado atinge Serra Gaúcha e destrói 635 casas

Na cidade de Canela, que decretou emergência, ventos chegaram a 124 km/h; na região, há 11 feridos e 16 mil pessoas prejudicadas

Lucas Azevedo ESPECIAL PARA O ESTADO PORTO ALEGRE, O Estado de S.Paulo

23 de julho de 2010 | 00h00

O tornado que atingiu a Serra Gaúcha anteontem, com ventos de até 124 km/h, destruiu total ou parcialmente 635 casas, feriu 11 pessoas, desalojou pelo menos outras 200 e prejudicou 16 mil pessoas em Canela, Ibiaçá, Imigrantes e Nonoai. Cerca de 250 árvores foram arrancadas do chão pela força do vento. A cidade mais atingida foi Canela - 407 imóveis danificados e 13 mil fora de casa - que decretou situação de emergência.

Árvores no Parque das Sequoias, ponto turístico da cidade, foram derrubadas como se tivessem sido "cortadas por motosserra" nos 40 segundos de duração do tornado. Os feridos - todos sem gravidade - foram atendidos no Hospital de Caridade de Canela e, em seguida, liberados. O vendaval foi causado, segundo meteorologistas, por um ciclone que atingiu o Rio Grande do Sul anteontem e originou um tornado - o quinto na região desde 2003.

Além de Canela, o vendaval também trouxe destruição às cidades de Gramado, Ibiaçá, Imigrante, Nonoai e Bento Gonçalves - há registros de pelo menos 20 residências destelhadas ou destruídas em cada cidade. Em Canela, até as 23h de ontem, 700 clientes da RGE continuavam sem energia elétrica. "Há fios caídos e árvores arrancadas", disse um morador. O defeito em uma linha de transmissão atingiu também zonas urbanas e rurais de outros dez municípios. Em Gramado, o mau tempo derrubou árvores e destelhou casas. Apesar disso, a Defesa Civil Estadual não registrou graves ocorrências na cidade. Os estragos ainda estão sendo contabilizados.

Depois dos Estados Unidos, segundo especialistas, a região Sul do Brasil é a zona mais propícia a tornados. Neste fim de semana, a meteorologia prevê ventos fortes no Estado nas fronteiras com o Uruguai e a Argentina. A Serra deve ser poupada. / COLABOROU PRISCILA TRINDADE

TRÊS PERGUNTAS PARA...

Giovanni Dolif - METEOROLOGISTA DO INPE

1. O que aconteceu no Sul foi tornado?

Sim. A característica do estrago, com objetos arremessados e destruição, sugere isso. Havia ventos com variação forte de temperatura, velocidade e umidade. É a atmosfera perfeita para se formarem.

2. Fenômenos assim podem voltar a ocorrer nos próximos dias?

Dificilmente. Sua causa principal foi o encontro de uma frente fria da Argentina e uma massa de ar quente do Norte. Mas a frente fria já está no oceano. Tornados são formados em condições específicas, que logo mudam.

3. O que torna a região propícia a esses fenômenos?

[ ]É a região do Brasil mais propícia a tornados por causa desses encontros. Na serra, pela variação de umidade, a probabilidade é ainda maior.

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