Torcedor não tem mais voz!

O pior das vuvuzelas nem é o som que elas produzem. É o que elas não te deixam ouvir: o grito, o batuque, o canto das torcidas. Pela primeira vez numa Copa do Mundo as arquibancadas não têm voz. Não se distingue, pelo som, um sotaque do outro, vaias de aplausos, palavrão de saudação, a língua inglesa do dialeto zulu. O vuvuzelaço nos estádios não permite identificar sequer para quem torce quem assopra. O zumbido atravessa, monocórdio, os 90 minutos de jogo.

, O Estado de S.Paulo

15 de junho de 2010 | 00h00

Já há quem diga que o melhor da Copa até agora, afora o Messi e a Alemanha, foram os momentos de execução dos hinos nacionais - quando, milagrosamente, calam-se as vuvuzelas. Com a bola rolando, não é possível ouvir o baque da bola na veia, os ritmos africanos, a vibração da galera, o apito do juiz, o grito de gol... A sonoplastia do futebol não é mais aquela.

Ruim para quem assiste, pior para quem joga: o técnico não se faz ouvir em campo, a barreira não escuta a armação do goleiro, o zagueiro não entende a advertência do juiz. Futebol virou conversa de surdos. Para quem está em casa, resta sempre a opção de dar um mute na TV para tirar o som das vuvuzelas, mas não há recurso eletrônico que recupere o que elas não te deixam ouvir. Pela proibição, já!

Metáfora lusitana

Cristiano Ronaldo tem razão: "Gols são como ketchup: quando vêm, vem tudo junto!" O que já teve de lambança em matéria de gols nesta Copa, nem em cachorro-quente completo se vê nada igual. Afora os frangos, o gol contra da Dinamarca, ontem, foi uma pintura.

Off-África

Ronaldinho Gaúcho está feliz da vida de férias na Bahia. Cada noite com uma vuvuzela diferente para soprar!

Vice-chatice

A troca de provocações entre Maradona e Pelé já é a segunda coisa mais desagradável de se ouvir nesta Copa. Só perde para as vuvuzelas!

Mal comparando

A torcida de Camarões saiu do estádio após a derrota para o Japão cantando que "Obina é melhor que o Eto"o".

Escondido é mais gostoso

O que mais preocupa Dunga na estreia do Brasil é que vai ter gente, incluindo jornalistas - ô, raça! -, assistindo no estádio. Se dependesse do técnico, o jogo seria secreto. A Coreia do Norte, decerto, topa!

Otimismo global

Outra coisa que preocupa o Dunga é a ansiedade da Glenda Kozlowski. A apresentadora da TV Globo vibra na cobertura até de treino fechado!

Menas, doutor!

É progressivo o pessimismo de Sócrates. A essa altura do campeonato, o "doutor" já deve estar temendo que o Brasil tome uma goleada da Coreia do Norte.

Esporte radical

Felipe Massa acabou o GP do Canadá em 15.º, logo atrás de Rubinho Barrichello. Dessa vez, pelo menos, ninguém se machucou!

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