Vera Fujisaki
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Tomie Ohtake terá, enfim, obra pública na Avenida Paulista

Antes de morrer, artista plástica manifestou desejo de ver escultura na via; Prefeitura havia negado, em junho, o pedido de instalação

Mônica Reolom, O Estado de S. Paulo

27 de agosto de 2015 | 03h00

SÃO PAULO - Um dos últimos desejos da artista plástica Tomie Ohtake será, enfim, realizado: a instalação de uma escultura sua em um espaço público na Avenida Paulista. A obra, cujo esboço Tomie deixou pronto antes de morrer – em fevereiro deste ano, aos 101 anos –, ficará na altura do número 1.111 da via, entre as Alamedas Pamplona e Campinas, conforme publicado na terça-feira, 25 no Diário Oficial da cidade. A ideia inicial era colocá-la na Praça do Ciclista, mas o pedido, como revelou o Estado em 11 de julho, foi indeferido pela Prefeitura por razões técnicas.

A instalação deve ocorrer no início de dezembro, segundo o Citibank, patrocinador da escultura. Como costumava fazer, Tomie esculpiu a obra em uma escala reduzida, com cerca de 20 centímetros de altura. Até o fim do ano, ela será moldada por uma metalúrgica de acordo com especificações e medidas deixadas pela artista – e vai alcançar os 8 metros de altura.

A Associação Paulista Viva, envolvida com o projeto desde 2013 e encarregada da viabilização do desejo da artista, comemorou a aprovação pela Prefeitura. “Esse novo local foi escolhido pela Prefeitura porque viram que não traria problemas à região. Será um presente para a cidade”, afirmou o vice-presidente da entidade, Antonio Carlos Franchini Ribeiro.

Em reunião no dia 5 de agosto, a Comissão de Gestão de Obras e Monumentos Artísticos em Espaços Públicos, do Departamento de Patrimônio Histórico, órgão da Secretaria Municipal da Cultura, decidiu que a escultura poderia ser instalada “em cima da jardineira” no número 1.111 da avenida, “local que permite o uso dos espaços de circulação para fruição da obra sem obstruir a passagem de pedestres e outros elementos de sinalização urbana”.

A comissão também considera que a obra “compõe um positivo contraste com o seu entorno, tanto do ponto de vista cromático como formal”. A escultura, seguindo o padrão da produção de Tomie, apresenta uma cor marcante – neste caso, o vermelho.

No indeferimento, em 19 de junho, a mesma comissão havia desaprovado a instalação na Praça do Ciclista por, entre outros argumentos, “haver incompatibilidade entre a implementação da escultura e o traçado da ciclovia proposta para o local” e afirmar que “a escultura era desproporcional à dimensão do traçado urbano existente, prejudicando a leitura do eixo visual” da Paulista.

A comissão propôs uma substituição: fazer um concurso público para instalar na Praça do Ciclista uma “homenagem aos ciclistas que foram vítimas do trânsito da cidade”. A sugestão foi criticada à época pela presidente do conselho deliberativo da Associação Paulista Viva, Vilma Peramezza. “Não tenho nada contra esse concurso mas, gente, vamos trocar a Tomie e esse seu último pedido por isso? Um pedido que ela fez em 2013, ainda antes de completar 100 anos?”, questionou.

Legado. Um dos motivos para o patrocínio do Citibank é a comemoração de cem anos da instituição no Brasil. “A doação dessa bela obra faz parte da celebração desta data. É um legado que queremos deixar para a cidade e para a avenida onde está a sede do banco”, diz Priscilla Cortezze, superintendente executiva de Assuntos Corporativos e Sustentabilidade.

Coincidentemente ou não, a escultura será posicionada na frente da sede do banco. A remoção das plantas que se encontram no canteiro onde ela ficará será tratada entre a Associação Paulista Viva e a Subprefeitura da Sé. A instituição ainda terá de apresentar à Prefeitura uma proposta, por meio do Programa Adote uma Obra Artística, para a conservação e a manutenção da escultura.

Origem. A história começou em setembro de 2013, quando a artista inaugurou uma de suas obras no Paço Municipal de Santo André, no ABC paulista. Na ocasião, quando alguém lhe perguntou onde mais ela ainda queria ter uma escultura pública, Tomie respondeu que seria na Avenida Paulista.

Tomie deixou o croqui pronto e aos cuidados da Associação Paulista Viva antes de morrer.

Vale ressaltar que, entre as cinco dezenas deobras públicas da artista, já há uma na Paulista desde o ano de 2007 na frente do Edifício Santa Catarina – projetado por seu filho Ruy Ohtake. Apesar de estar às vistas do público e em espaço aberto, a escultura está em terreno privado.

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