Tombamento parcial permite venda de área

Decisão do Conpresp abre espaço para escola da Chácara Santo Antônio negociar parte do terreno, mas instituição garante que não vai sair do local

RODRIGO BURGARELLI E VITOR HUGO BRANDALISE, O Estado de S.Paulo

22 de maio de 2010 | 00h00

O mais novo motivo de assédio imobiliário aos colégios tradicionais deve ser a Escola Pueri Domus, também na Chácara Santo Antônio, zona sul da capital. Antigo alvo de incorporadoras, o terreno de 25 mil m² onde fica a escola - de propriedade do Seminário do Verbo Divino - foi liberado na terça-feira pelo Conselho Municipal do Patrimônio Histórico de São Paulo (Conpresp), que tombou só a fachada do Seminário. Não há restrições à maior parte da área.

O processo de tombamento teve início em 2009, a pedido de moradores e empresários do bairro. A solicitação original contemplava todo o conjunto de prédios e as árvores do terreno. No entanto, após um ano de análise, o Conpresp decidiu tombar apenas a frente do prédio principal.

A área é alvo de empreiteiras há pelo menos uma década, quando a ocupação do bairro se intensificou, segundo a Associação de Empresários da Chácara Santo Antônio. "Surgiram muitas torres na última década e a infraestrutura não acompanhou", diz o presidente da organização, Iracélio Perez. "Tombar o conjunto poderia manter características antigas do bairro", explica.

Segundo a Assessoria de Imprensa da Escola Pueri Domus, "há apenas boatos" de que a área pode ser incorporada para a construção de novos empreendimentos. "Não se cogita que a escola deixe o lugar", informou a instituição. Nessa unidade da Pueri Domus estudam atualmente 1.200 alunos.

O Seminário do Verbo Divino, por meio da assessoria jurídica, nega interesse de deixar o local e diz não haver "nem estudo" de vender parte da área para empreiteiras. O seminário era contrário ao tombamento do conjunto.

Mobilização. Localizado na borda do Parque da Aclimação, no Cambuci, o prédio do Colégio Anglo Latino - que faliu em 2005 - também foi alvo de incorporadoras. Em 2007, a construtora Camargo Corrêa comprou o terreno de 4,5 mil m² do antigo colégio por R$ 3,5 milhões. "Um ano depois, fizemos abaixo-assinado com 5 mil assinaturas pedindo a desapropriação do terreno para fazer parte do parque. E conseguimos", disse Roberto Cassebe, diretor do Jornal do Cambuci e Aclimação. A desapropriação foi determinada por lei municipal. A construtora contesta na Justiça o valor oferecido pela Prefeitura.

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