Tombada a Orla de Santos, a maior do mundo

Patrimônio estadual, o jardim ao longo das praias passará a partir do ano que vem por reforma de R$ 13 milhões

Rejane Lima, O Estado de S.Paulo

13 de julho de 2010 | 00h00

Depois de um processo de quase uma década, o jardim de 5.335 metros de extensão e 218 mil m² de área na orla de Santos foi tombado pelo Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico e Arqueológico, Artístico e Turístico do Estado (Condephaat).

Conforme adiantou a coluna Direto da Fonte, publicada no Estado na sexta-feira, a decisão foi tomada na reunião do Condephaat do dia 28.

Segundo o secretário municipal de Planejamento, Bechara Abdala, o tombamento vai do calçadão da areia ao passeio da avenida. Com isso, os postos de salvamento, ciclovia, chuveirinhos e monumentos também estão protegidos. "A decisão foi acertada também porque analisou as questões de manutenção e vai permitir que a prefeitura faça todos os reparos que são sempre necessários, sem burocracia."

Os 920 canteiros com mais de 70 espécies de plantas ornamentais, como lírios, biris vermelhos, crisântemos, além das 853 árvores e 1.088 palmeiras são motivo de orgulho para santistas.

"Ele está no Guinness Book como o maior jardim do mundo. É o nosso Éden", afirma o aposentado José Silva, de 82 anos. Silva passa quatro horas por dia nos jardins com a mulher, Carlinda, de 79 anos. "Eu fico sentadinha nos banco, admirando a paisagem e fazendo crochê e tricô com a minha amiga, enquanto ele fica preenchendo palavras cruzadas do jornal", conta Carlinda.

As irmãs Cláudia Débora Nascimento dos Santos, de 22 anos, e Carla Nascimento dos Santos, de 24, de Vargem Grande Paulista, tiraram mais de cem fotos em um único dia de passeio pela orla. "Chegamos ontem a Santos e por enquanto só passeamos aqui, fomos ao Museu do Surf e ao aquário", diz Cláudia.

Nova cara. Após o verão de 2011, a prefeitura planeja uma reforma na orla - a última foi há sete anos. Para isso, já assinou convênio que garante mais de R$ 13 milhões de recursos do Departamento de Apoio ao Desenvolvimento das Estâncias (Dade), do governo estadual. O projeto prevê remodelação de quiosques, sanitários, substituição da iluminação, novos brinquedos, lixeiras e ampliação do número de câmeras de monitoramento.

Para manter o jardim arrumado, 38 funcionários da prefeitura podam, adubam, limpam e replantam os canteiros, a um custo médio de R$ 500 mil por ano.

PARA LEMBRAR

O jardim foi idealizado em 1914 pelo engenheiro Saturnino de Brito, mas seus primeiros canteiros surgiram na década de 20, no Gonzaga, e se estenderam à medida que a construção civil na orla prosperava. Em 1960, ganhou o atual traçado curvilíneo, projetado por Armando Martins Clemente.

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