Todos os 16 chafarizes paulistanos estão secos

Secretário alega que basta religá-los para os equipamentos serem roubados

BRUNO PAES MANSO, O Estado de S.Paulo

06 de fevereiro de 2012 | 03h05

Todos os 16 chafarizes públicos paulistanos estão secos. Alguns, como a Fonte Monumental da Praça Julio Mesquita e a Drusa do Anhangabaú, no centro, antigos pontos de encontro de meados do século passado, estão também pichados. O motivo, segundo a Secretaria de Serviços, responsável pela manutenção dos monumentos, são os furtos constantes dos equipamentos que fazem as fontes funcionarem.

O secretário municipal da pasta, Dráusio Barreto, afirma que desde que assumiu o cargo, há um ano e meio, vem tentando religar todos os chafarizes sob responsabilidade do Município. "Mas basta a gente ligar que os equipamentos são roubados. Já tentamos diversas vezes", diz o secretário.

Ele afirma que os vândalos e ladrões levam desde a bomba que faz a água circular para ser filtrada até os holofotes que iluminam as fontes durante a noite, sem falar nos registros, ralos e bicos das fontes. "É quase instantâneo. Basta colocar para que todos os equipamentos sejam levados", diz.

Vigilância. O inspetor Sidney Pureza do Nascimento, comandante da área centro da Guarda Civil Metropolitana (GCM), afirma que os guardas trabalham mediante requisições e eles não foram orientados a fazer um circuito direcionado para os chafarizes. "Nunca chegou nenhum pedido específico em relação a eles", diz.

Segundo Pureza, os guardas municipais percorrem um circuito pelas obras e prédios turísticos de São Paulo para vigiar e coibir a ação de vândalos. O Teatro Municipal de São Paulo, segundo o inspetor, é o mais bem guardado, com policiamento 24 horas por dia. Atualmente, grupos de pichadores competem na internet para saber quem será o primeiro a pichar o prédio depois da reabertura em junho do ano passado.

O inspetor afirma que é inviável manter policiais de guarda em frente a cada monumento. O efetivo da GCM é de 1, 2 mil homens. "A solução para esse caso é utópica. Seria pedir mais educação à população", afirma o inspetor.

O superintendente geral da Associação Viva o Centro, Marco Antônio Ramos de Almeida, afirma que é preciso encontrar novos modelos para diminuir os atos de vandalismo no centro. Ele sugere exemplos como as parcerias feitas em Nova York entre iniciativa privada e município. Cada empresa se responsabiliza em tomar conta de alguns recantos da cidade.

Outra alternativa são os gradis, espécies de cercas móveis usadas para deixar a população afastada dos monumentos em períodos de menor movimento. "É uma forma de proteção que diminui a necessidade de efetivo. O importante é pensarmos em soluções novas e criativas para lidar com o problema", diz o superintendente.

Cultura. A Secretaria Municipal de Cultura afirma que a Fonte Monumental, no centro, já está em fase de contratação e restauro, com investimento de cerca de R$ 400 mil. O Obelisco e a Ladeira da Memória foram restaurados em 2006, mas necessitam novamente de reparos, por causa da depredação. As esculturas localizadas no Parque da Luz devem ser recuperadas com recursos do Programa Monumenta, do governo federal.

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