Todo fundo de vale é inundável. Mas soluções existem

Não é um único tipo de solução de engenharia que vai resolver o problema das enchentes. Não é só piscinão, não é só túnel, não é só tirar as pistas das Marginais, como também não é só a parte educativa: tirar lixo que entope as drenagens, as garrafas PET, as sacolas plásticas.

Hugo Cássio Rocha *,

01 de abril de 2013 | 02h03

Grande parte da cidade de São Paulo está no fundo de um vale. E todo fundo de vale é inundável. Sempre foi e sempre vai ser. A cidade está ocupando um lugar que não deveria estar ocupado. Mas isso não dá mais para mudar. Soluções de engenharia para resolver este problema existem, mas têm de ser muito bem pensadas.

Os piscinões que estão sendo feitos hoje ocupam áreas já valorizadas. E daqui a pouco não tem mais lugar para se fazer piscinão. E o que se está fazendo no mundo? Obras subterrâneas, redes de túneis profundos que servem para armazenar essa água e para aumentar a vazão dos córregos já existentes. A topografia de São Paulo é muito favorável a esse tipo de construção, porque temos colinas e fundo de vale.

É uma obra cara? Sim, mas como você pode medir isso? Você precisa calcular o benefício que essa obra trará e a economia que se terá com ela. Além disso, uma obra a céu aberto não é necessariamente mais barata: tem manutenção maior e efeito na superfície maior. Sem contar que você tem transporte da terra e retorno da terra.

O túnel causa menos impacto na superfície e pode ser feito em áreas nobres e movimentadas sem desapropriações ou interdições no trânsito. Isso é muito importante, uma vez que boa parte dos problemas de drenagem e enchente hoje está no centro expandido e na parte mais consolidada da cidade.

* Hugo Cássio Rocha é engenheiro e presidentd do Comitê Brasileiro de Túneis (CBT).

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