Todo candidato deve saber ler, interpretar e produzir textos

Análise: Rogério Chociay

O Estado de S.Paulo

09 Maio 2013 | 02h04

 

O ensino de leitura, interpretação e produção de textos nas escolas é fundamental para a formação. Um argumento importante é o de que a comunicação escrita só fez aumentar de intensidade e importância ao longo dos séculos. A internet colocou isso em destaque e, mesmo que critiquemos algumas formas assumidas pela comunicação escrita via rede, não há como negar que, sem adequado domínio da leitura e elaboração de textos, o usuário não aproveita o que de melhor a web nos facultou: o acesso a textos de todos os gêneros e épocas.

Se a leitura, interpretação e produção de textos é considerada indispensável nos ensinos fundamental e médio, por que não o seria no superior? Embora a comunicação oral também tenha grande importância na universidade, a expressão acadêmica por excelência é por meio da escrita. Quem se candidata a uma vaga deve comprovar não apenas conhecimentos, mas suficiente domínio de leitura, interpretação e produção de textos, ferramentas básicas para o aprendizado.

A inserção (na realidade, reinserção) da prova de redação nos vestibulares do País nos anos 1970 representou o reconhecimento da importância dessa competência para o estudante que pretende formar-se na graduação. Na época, os próprios docentes e a mídia falavam em Geração do X, para designar os candidatos que prestavam vestibulares com questões objetivas e apresentavam dificuldade extrema em interpretar e produzir textos quando chegam aos bancos acadêmicos.

Por isso, universidades públicas com vestibulares independentes e o próprio Enem não podem deixar de considerar a prova de redação indispensável para a avaliação dos candidatos. Sugiro até mesmo que todos os universitários deveriam ter aulas para dominar a especificidade do discurso científico.

* ROGÉRIO CHOCIAY É PROFESSOR APOSENTADO DE LETRAS DA UNESP

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