'Tô de Bowie' vai do rock ao axé e atrai milhares para as ruas do centro de SP

Multidão aprovou as músicas de ritmos variados, repertório que também contemplou sucessos do artista britânico; nem a chuva no fim do dia não dispersou o público

Bruno Ribeiro, O Estado de S.Paulo

28 Fevereiro 2017 | 22h39

SÃO PAULO - Era para ser um bloco “de boa”. Mas o “Tô de Bowie” tomou o centro de São Paulo em uma festa psicodélica que uniu o melhor do artista britânico David Bowie com o axé e o samba brasileiros, em um evento que manteve o centro da capital paulista como ponto de erupção do carnaval de rua da cidade neste ano. 

A música “Let’s Dance”, do britânico morto no ano passado, se transformou em “Olhos Corolidos”, de Sandra de Sá, e seu “Sarará Criolo”, em uma melodia que manteve a mesma base de guitarra do ritmo de um dos reis do pop. “Rebel Rebel” seguiu a guitarra tocando para virar “Masculino e Feminino”, de Pepeu Gomes, para um delírio da galera que fugiu da divisão entre o rock e a música brasileira. E, a cada mudança, o público vibrava.

O bloco “Tô de Bowie” saiu nesta terça-feira de carnaval do Largo do Arouche, no centro da capital, para tomar as ruas do centro até o Vale do Anhangabaú. Segundo os organizadores, eles não queriam tanto. O bloco, ano passado, desfilou da Praça Princesa Isabel, também no centro, até a Avenida Rio Branco.  Neste ano, a Prefeitura Regional da Sé não deixou que seguissem pelo mesmo rumo. Então mudaram para a saída no Largo do Arouche e a dispersão no Anhangabaú. 

Embora o grupo tenha nascido da piada interna de um grupo de amigos, que queriam ficar “de boa” na terça-feira de carnaval em 2015, o grupo foi o principal destaque do centro da cidade nesta terça. “Em 2015, a gente ia sair na terça, mas então alguém disse que estava 'de boa' de arrumar nova fantasia. Outro disse que, se era assim, ia sair “de Bowie”. E assim nasceu o bloco”, conta um dos fundadores do Tô de Bowie, Cauê Yuiti.

“Já tinha ido no Acadêmicos do Baixo Augusta, tinha gostado do Ritaleena. Vim para o Tô de Bowie para ver como seria a coisa no centro. E adorei”, conta a estudante Fernanda Vicente, de 22 anos.  “Já tinha ido para outros blocos em São Paulo. Mas é a primeira vez que passo o carnaval o ano inteiro aqui. Com certeza voltarei nos próximos anos” afirma a médica recém formada Júllia McGill, de 25 anos, moradora da capital.

Outros grupos chegaram a passar pelas ruas da região central, em especial pela Praça da República, mas sem reunir tantos foliões. 

Embora a festa fosse regada a muita cerveja e a garrafas de catuaba, o desfile mantave o tom político que tem caracterizado os blocos de carnaval do centro. Espontaneamente, a população gritou “fora Temer” entre as músicas do bloco. sem represália dos artistas.

“Somos contra esse governo, contra o cinza do prefeito (João) Doria (PSDB)”, disse o engenheiro Rodrigo Tavares, de 32 anos, que curtiu o bloco com sua namorada, a arquiteta Clarissa Xitseo, de 29 anos, ambos moradores da Bela Vista, também no centro. Eles foram no Tô de Bowie fantasiados com o raio vermelho e azul pintado no rosto, uma das características dos foliões que seguem o bloco. 

Uma forte chuva caiu no começo da noite e pareceu que iria encerra a festa. Mas a multidão seguiu sem arredar o pé do local. No máximo, parte deles se escondeu nas marquises dos prédios do Anhangabaú, sem deixar a festa morrer.

O Metrô estava preparado e deu conta de absorver a multidão. Mas foi visível a falta de policiais militares no centro expandido, que deixou de trazer a sensação de segurança que os homens da corporação levam para grandes concentrações de público. Nada, no entanto, que fizesse a festa perder o ritmo alegre ou gerar clima de insegurança entre a população, que estava ali mais pela festa do que para qualquer outra coisa.

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