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TJ confirma habeas-corpus para pai e madrasta de Isabella

A expectativa é de que o casal seja libertado após passar por exame de corpo de delito no IML

Laura Diniz , O Estado de S. Paulo

11 de abril de 2008 | 11h55

O desembargador Caio Eduardo Canguçu de Almeida, do Tribunal de Justiça, concedeu liminar em habeas-corpus para libertar o casal Alexandre Alves Nardoni e Anna Carolina Trotta Jatobá da prisão temporária que cumpriam desde 3 de abril. A decisão foi confirmada pela assessoria de imprensa do Tribunal. O casal pode ser colocado em liberdade ainda nesta sexta-feira. Eles são considerados pela polícia como os principais suspeitos de participação na morte da garota Isabella de Oliveira Nardoni. A menina morreu depois de ser arremessada do prédio em que o pai e a madrasta moram, na zona norte da cidade.   VEJA TAMBÉM A tragédia, as dúvidas e contradições do caso Escute por que crimes assim comovem a sociedade Tudo o que já foi publicado sobre o caso Isabella    Em sua decisão o desembargador alegou, entre outros motivos, que a prisão temporária é uma medida excepcional, tolerada apenas nas hipóteses precisamente fixadas em lei, imperiosa à apuração da autoria do fato criminoso e à produção de provas que se tornariam inviáveis com os investigados em liberdade.   Canguçu de Almeida argumentou também que Alexandre e Anna Carolina não deram, até o momento presente, prova alguma de comprometer, dificultar ou impedir a apuração dos fatos. Tanto que nem a autoridade policial nem o magistrado que decretou a prisão indicaram fatos que pudessem caracterizar quaisquer das condutas mencionadas acima. O fato de os investigados se apresentarem espontaneamente, poucas horas depois da decretação da prisão temporária, também foi levada em consideração pelo desembargador em sua decisão.   Alexandre e Anna Carolina tiveram a prisão temporária decretada no último dia 2/4 pelo juiz Mauricio Fossen, da 2ª Vara do Júri de Santana, atendendo a pedido do delegado que preside o inquérito e do Ministério Público, e se apresentaram no dia seguinte no Fórum de Santana.   Investigações   Os peritos do Instituto de Criminalística (IC) já sabem que Anna Carolina Trotta Peixoto Jatobá trocou de blusa na noite da morte da menina Isabella Nardoni, de 5 anos, no último dia 29. Quando chegou ao prédio, ela usava um blusa preta. Depois do crime, ela estava com uma blusa verde-água. Os policiais encontraram manchas semelhantes a sangue tanto na calça jeans que a madrasta usava como na blusa. Todas as testemunhas são unânimes em dizer que Anna Carolina não se aproximou de Isabella depois da queda do sexto andar do Edifício London, na zona norte de São Paulo.   Os peritos suspeitam que a blusa foi lavada depois do crime. Uma análise química dos fios do tecido será feita para averiguar essa suspeita. As manchas achadas, ainda segundo os peritos, são compatíveis com o cenário de alguém que carregasse a menina no colo. Sabe-se que o sangue no chão do apartamento é resultado de pingos que caíram de uma altura de pouco mais de um metro.   Os peritos buscam, por meio do exame de DNA, verificar se o suposto sangue encontrado na blusa e na calça é mesmo da madrasta. Eles estão seqüenciando o material genético de Isabella a fim de estabelecer o padrão e poder compará-lo com o padrão das amostras de substâncias semelhantes a sangue recolhidas no apartamento e nas roupas apreendidas.   Na quinta-feira, 10, os policiais do 9º DP ouviram novamente o depoimento de Anna Carolina na carceragem do 89º DP (Portal do Morumbi), onde ela está detida. Os investigadores do caso estão atrás de um sapato de Anna Carolina ou do consultor jurídico Alexandre Nardoni, pai de Isabella, para comparar com a pegada encontrada no lençol da cama do quarto de onde a menina foi jogada.   Testemunhas     Duas testemunhas disseram ter escutado de Cristiane Nardoni, irmã de Alexandre, na noite de 29 de março, uma frase que compromete o irmão como se ele tivesse feito algo errado. Pouco antes, a menina Isabella havia sido atirada pela janela do apartamento do pai. Ouvidas em sigilo no 8º Distrito Policial (DP), as testemunhas são um caixa e um gerente de um bar na zona norte de São Paulo. Os dois contaram que viram Cristiane ansiosa para deixar a casa. Ela estava acompanhada pelo noivo, que pediu ao caixa que se apressasse. A irmã de Alexandre estava chorando. Foi quando ela teria deixado escapar a frase. Em entrevista, Cristiane negou que seu irmão tenha dito algo que o comprometesse na ligação.

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