Tiroteio fere PM e fiscal da Receita e assusta Pacaembu

Bandidos se preparavam para assalto quando foram abordados; motorista levou dois tiros porque demorou para sair do carro

Marcelo Godoy, O Estado de S.Paulo

27 de agosto de 2010 | 00h00

Na avenida. Na fuga, bando roubou outro carro, mas bateu e teve de trocar de veículo de novo                    

 

 

 

 

Balas para todo lado. Com fuzis, metralhadoras e pistolas, bandidos abriram caminho a tiros para escapar da polícia na Avenida Pacaembu, na zona oeste de São Paulo. Acertaram um policial e dispararam duas vezes contra uma contadora de 51 anos porque ela demorou para deixar o carro, um Corolla, com o qual pretendiam fugir. Dezenas de viaturas e dois helicópteros da polícia cercaram a região. No final, um ladrão foi preso.

Tudo começou por volta das 11 horas, quando policiais militares foram avisados por um telefonema sobre a presença dos suspeitos rodando em um Focus pelo bairro de Perdizes. Uma equipe do 23.º Batalhão da PM avistou os suspeitos, na esquina da Rua Itabaquara com a Avenida Pacaembu. O grupo planejava roubar residências na região.

Antes que os policiais pudessem abordar o carro, os bandidos começaram a atirar pelo vidro traseiro do Focus, acertando a viatura e ferindo no quadril o cabo Claudio Elias Barros. Bloqueados pelo tráfego, os criminosos abandonaram o carro em que estavam e atravessaram a Avenida Pacaembu. Abordaram o Corolla dirigido por Ana Silvia dos Santos, de 51 anos.

Ela estava na pista sentido Marginal do Tietê. Ia para o prédio da Receita Federal, onde trabalha como fiscal. Nervoso, um bandido atirou duas vezes na contadora porque considerou que ela demorou para sair do carro. Em seguida, jogou a mulher no meio da avenida e, com os comparsas, entrou no Corolla. Ana se levantou quando aceleraram o carro e foi para a calçada.

Passava naquela hora um outro carro da polícia, ocupado por homens do 87.º Distrito Policial. Novo tiroteio. O Corolla foi atingido por vários disparos e os bandidos perderam o controle do carro, batendo no tapume de uma obra. Os criminosos abandonaram o carro e saíram pela avenida em busca de outro. Roubaram um Palio e escaparam.

A cerca de 400 metros dali, os policiais militares capturaram Naedson Santana de Jesus, de 24 anos. O homem estava na Rua Heitor de Moraes com um colete à prova de balas. "Ele era um dos cinco que estavam no carro", afirmou o tenente Jone César, do 23.º Batalhão. Naedson estava desarmado. "Ele certamente se desfez da arma", disse o oficial.

Segundo o delegado Marco Aurélio Floridi, titular do 23.º Distrito Policial (Perdizes), Naedson já esteve preso por tráfico de drogas e receptação. Aos policiais, ele teria confirmado participar do bando e dito que o grupo ia roubar residências na região. Acabou autuado em flagrante por roubo, tentativa de homicídio, formação de quadrilha e resistência à prisão.

Os policiais levaram o cabo Barros e a contadora ao Hospital das Clínicas. O policial foi liberado ontem à tarde. A contadora ficou internada em observação. Uma das balas acertou um de seus seios, mas ela não corria risco de morrer. Até a noite, os outros bandidos continuavam foragidos. Além dos carros, eles deixaram para trás duas pistolas e dois rádios de comunicação.

TRÊS PERGUNTAS PARA...

Elcio Vieira, VENDEDOR DE 55 ANOS QUE TEVE O PALIO LEVADO PELOS CRIMINOSOS

1. Como os criminosos o pararam?

Entrei na Avenida Pacaembu e havia um Mercedes na minha frente. Um Corolla passou e parou na frente do Mercedes. Parei também. Três homens vieram para cima. Um homem com um fuzil falava: "Desce, desce. Você vai morrer". Saí do carro.

2. O que pensou ao ser abordados pelos bandidos?

Na hora em que você vê um homem com um fuzil apontado, outro com uma metralhadora do lado e eles falam que você vai morrer, você pensa que chegou a hora. O homem da metralhadora chegou a colocá-la dentro do carro.

3. E como foi a sua reação?

Desci do carro, mas fiquei tão assustado que parei no meio da pista (da avenida). O motorista de um guincho parou atrás e perguntei a ele se tinha visto o que havia acontecido. Eu só tinha visto uma arma daquela pela televisão. É de assustar.

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