Daniel Teixeira/AE
Daniel Teixeira/AE

Tiroteio faz escolas e ruas serem fechadas

Avenida Elísio Teixeira, uma das principais da região, ficou interditada toda a manhã

Marcelo Godoy e Nataly Costa, O Estado de S.Paulo

06 de agosto de 2011 | 00h00

Disparos de fuzis, metralhadoras e pistolas. Um tiroteio no meio da madrugada de ontem em um Supermercado Compre Bem levou pânico e medo a Parada de Taipas, bairro da periferia da zona norte de São Paulo. O confronto opôs cerca de 15 homens de uma quadrilha especializada em roubo de caixa eletrônico a 65 homens das Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar (Rota) e do 18.º Batalhão da Polícia Militar. Seis ladrões foram mortos. Nenhum policial foi baleado.

O clima de guerra que se estabeleceu no bairro fez duas escolas suspenderem as aulas. Assustados, os cerca de 700 alunos das estaduais Elísio Teixeira Leite e Jacob Salvador nem chegarem perto da sala de aula ontem pela manhã: os portões abriram apenas no turno da tarde.

As duas escolas ficam lado a lado, a menos de 50 metros de distância do supermercado, e têm alunos de 5.ª a 8.ª série pela manhã e do ensino médio à noite. A Secretaria de Educação afirma que aulas serão repostas.

A Avenida Elísio Teixeira Leite, onde fica o supermercado, ficou interditada durante toda a manhã. Quem costumava comprar no mercado também teve de procurar outra unidade para abastecer a despensa de casa. É que no Compre Bem, por volta das 13 horas, ainda eram limpas as marcas de sangue do chão.

Quatorze linhas de ônibus que passavam por ali tiveram seu trajeto desviado pela SP Transporte enquanto continuavam as buscas aos fugitivos - pelo menos dez, pela estimativa da polícia. Um deles foi localizado e preso horas mais tarde em um hospital na zona leste e confessou a participação no assalto.

Denúncia anônima. A ação dos bandidos começou por volta das 2h30. O alvo eram cinco caixas eletrônicos dentro do mercado. A história contada pelos policiais militares começa com um telefonema anônimo. Alguém, segundo eles, telefonou para a sede da 2.ª Companhia do 18.º Batalhão. Disse que dali a pouco os bandidos invadiriam o supermercado. Era 1 hora.

A sede da companhia fica a cem metros do supermercado. Policiais decidiram verificar a informação e chamaram reforço da Rota. Eram 2h50 quando a PM chegou ao Compre Bem. Naquele momento, os criminosos já haviam começado a abrir com um maçarico o primeiro caixa e feito três reféns: um repositor de estoque e dois homens da manutenção. Uma das vítimas foi presa dentro da câmara frigorífica do supermercado. O local foi cercado e o tiroteio começou.

Na versão dos policiais, os criminosos, armados com fuzis, submetralhadoras, escopetas e pistolas, tentaram abrir caminho à bala para fugir do cerco. Um homem foi morto dentro de um Peugeot ainda no estacionamento e outros cinco foram alvejados no supermercado.

O restante do bando escapou sem levar dinheiro nenhum, nem mesmo do caixa que havia sido aberto. Os reféns foram deixados para trás ilesos e deverão ser ouvidos por investigadores do Departamento de Homicídios e de Proteção à Pessoa (DHPP). Um tenente da Rota foi o único policial ferido na ação - ele quebrou a mão ao cair de um telhado durante o tiroteio.

Dos seis mortos, apenas três haviam sido identificados até as 23 horas de ontem: Nicomedes Teixeira, de 34 anos, Adriano Silva Santos, de 24, e Alessandro Leal Paes da Silva, de 29. Alessandro já havia sido preso por porte de arma e tráfico de drogas. Os outros dois não tinham antecedentes. O único preso, Reginaldo Moura da Conceição, de 31 anos, também já havia sido preso por porte de armas, furto, homicídio e formação de quadrilha. Mais dois carros foram achados abandonados pelo bando em lugares diferentes da cidade, com marcas de balas e sangue.

Com os acusados, a Rota diz ter apreendido dois fuzis, duas espingardas calibre 12, duas submetralhadoras, coletes à prova de balas e uma pistola. "Eles vieram preparados para tudo. Claro que a morte é uma coisa triste, mas foi resultado da ação deles. Eles não se renderam, não se intimidaram, e o resultado foi pior para eles", disse o tenente-coronel Paulo Adriano Telhada, comandante da Rota.

Tumulto. Até o começo da tarde de ontem, a avenida onde fica o supermercado ficou lotada de moradores e curiosos. Como o crime aconteceu de madrugada, a maioria dos vizinhos dormia na hora do tiroteio. "Quando ouvi barulho de tiros e carro arrancando, minha família toda acordou assustada", contou o pintor José Santos, de 59 anos.

Uma professora de uma das escolas, que não quis identificar-se, afirma que nunca algo parecido aconteceu por ali. "A confusão veio parar até aqui no muro do colégio", disse. O delegado do DHPP, Maurício Guimarães Soares, afirma que as investigações ainda vão apontar quem eram os demais envolvidos no crime. "Não podemos descartar a participação de policiais, civis ou militares."

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