Nuria Santiago/Estadão
Nuria Santiago/Estadão

Tiroteio deixa um morto na Pacaembu

Bando fez 4 funcionários de transportadora de valores reféns por duas horas; troca de tiros com polícia aconteceu na tentativa de fuga

Fabiana Cambricoli e Juliana Diógenes, O Estado de S. Paulo

15 de março de 2015 | 17h55

Atualizada às 21h04

Quatro funcionários da empresa transportadora de valores RRJ foram mantidos reféns por cerca de duas horas, na tarde deste domingo, 15, durante tentativa de assalto a um dos escritórios da companhia, na Barra Funda, região central de São Paulo. Todos foram libertados sem ferimentos, mas um dos ladrões morreu na troca de tiros com policiais ao tentar fugir pela Avenida Pacaembu. Outros quatro criminosos foram presos e um está foragido.


Armado com fuzis, o grupo entrou no escritório, na Rua Mario de Andrade, pouco antes das 16 horas, após render os quatro funcionários. A Polícia Militar não soube informar como a quadrilha conseguiu invadir o local.

Com a chegada das primeiras viaturas da PM ao local, quatro dos seis integrantes do bando tentaram sair da companhia em um carro-forte, mantendo três funcionários reféns dentro do veículo - a quarta pessoa rendida ficou amarrada no interior do prédio da RRJ.

Nesse momento, houve troca de tiros, mas ninguém se feriu. O clima na região, no entanto, foi de pânico. Muitos moradores de prédios da rua e pedestres correram e se esconderam com o barulho dos disparos. “Estava tomando uma cerveja no bar da esquina quando comecei a ouvir os tiros. Fecharam o bar e corri para me esconder na cozinha. Foi muito tenso porque o tiroteio durou uns 20 minutos”, conta o vendedor Everaldo Silva, de 46 anos.

O Grupo de Ações Táticas Especiais (Gate) da PM foi chamado ao local para comandar as negociações com os assaltantes. A quadrilha decidiu libertar um dos reféns, para sinalizar que aceitaria negociar. Os demais funcionários foram soltos por volta das 18 horas, no mesmo momento em que os quatro ladrões se entregaram.

Outros dois criminosos fugiram separadamente em dois carros. Um conseguiu escapar e ainda não havia sido localizado até as 20h30 deste domingo. O outro criminoso seguiu pela Avenida Pacaembu, mas foi surpreendido por uma viatura da PM.

Na altura do número 800, houve tiroteio e o suspeito foi baleado por policiais. Ele foi encaminhado ao pronto-socorro da Santa Casa, também no centro da cidade, mas não resistiu aos ferimentos e morreu.

Vítimas e detidos foram levados para o Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) e ainda prestavam depoimento às 20h30 deste domingo. De acordo com informações preliminares da polícia, nada foi levado da empresa. 

Segundo caso. Não foi a primeira vez que o escritório da RRJ na Rua Mario de Andrade é alvo de tentativa de assalto. Em 2008, um grupo formado por cerca de 20 bandidos chegou a usar uma bomba para tentar abrir um buraco na parede da companhia e roubá-la, mas o crime foi impedido por um grupo de seguranças internos.

A explosão, no entanto, danificou imóveis da vizinhanças. “Tem gente que até hoje não recebeu nada pelo prejuízo que teve na época. A pensão localizada ao lado da empresa ficou toda destruída”, conta a cuidadora Fátima Carvalho, de 63 anos, que mora em um prédio na Rua Camaragibe, que dá para os fundos da companhia. “Eu vou falar com os vizinhos para que a gente faça um abaixo-assinado para pedir a saída da empresa daqui. Está trazendo muitos riscos”, defende.

A reportagem não conseguiu contato com nenhum representante da empresa RRJ até a noite deste domingo.

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