Tiros atrasam corrida pela paz em favela do Rio

Percurso é semelhante ao feito por criminosos na fuga do Alemão e da Vila Cruzeiro, em 2010

FÁBIO GRELLET / RIO, O Estado de S.Paulo

27 Maio 2013 | 02h03

Um tiroteio entre traficantes, segundo a polícia, às 7h30 de ontem, nos vizinhos Complexos do Alemão e da Penha, na zona norte do Rio, assustou moradores e atrasou o início do Desafio da Paz, uma corrida anual promovida desde 2011 pela ONG AfroReggae. Não houve feridos, mas dezenas de pessoas que se preparavam para a corrida se esconderam, com medo, e algumas desistiram da prova. Marcada para as 8h, a disputa só começou às 9h.

Ocupado por forças de segurança desde novembro de 2010, o Complexo do Alemão era o principal reduto da facção criminosa Comando Vermelho. Embora hoje disponha de Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs), a região ainda abriga traficantes ligados ao grupo.

O secretário estadual de Segurança, José Mariano Beltrame, participou da corrida, que teve 2 mil inscritos. O percurso, de 5 km, é semelhante àquele percorrido por criminosos filmados em fuga durante uma operação policial promovida em 2010.

Segundo o coordenador das UPPs, coronel Paulo Henrique de Moraes, houve tiros no Alto da Pedreira, no Complexo do Alemão, e na Vila Cruzeiro, na Penha, em um trecho conhecido como Treze, onde um contêiner da UPP foi metralhado. Segundo o coronel, os disparos partiram de traficantes e não houve confronto.

Logo após o tiroteio, PMs vasculharam a área, mas ninguém foi preso. O início da corrida foi autorizado após essa vistoria da polícia. "O que aconteceu foi uma ação que infelizmente é irresponsável e criminosa. É óbvio que foi uma facção, que, mesmo enfraquecida, acha que com atos assim pode afastar a polícia e o Estado, mas nós não sairemos", declarou Beltrame. "Existe toda uma questão simbólica por trás dessa corrida; o que importa é que a prova foi disputada", afirmou o coordenador do AfroReggae, José Junior.

Tensão. A última semana foi tensa no Alemão. Na quinta-feira, o comércio, 14 escolas e 7 creches não funcionaram por ordem de traficantes. Mais de 11 mil alunos ficaram sem aulas.

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