Tiro para o alto e vítimas amarradas: mais três arrastões em São Paulo

Bandidos entraram em dois prédios e em uma cantina: na mais organizada das ações, os ladrões invadiram um condomínio nos Jardins

CAIO DO VALLE / JORNAL DA TARDE, O Estado de S.Paulo

10 de junho de 2012 | 03h00

Vítimas amarradas, tiro para o alto, joias, relógios, celulares e dinheiro roubados. É o saldo dos três mais recentes arrastões promovidos por bandidos em São Paulo. Eles atacaram dois prédios residenciais e uma tradicional cantina italiana. Todas as ações ocorreram em menos de 12 horas, entre as 18h30 de anteontem e as 3h de ontem.

O mais organizado dos assaltos aconteceu na esquina das Ruas Bela Cintra e Vittorio Fasano, nos Jardins, na zona oeste. Ali, às 3h de ontem, um casal pulou o muro do condomínio Santa Margherita, vizinho de muro do Hotel Fasano, e dominou o porteiro, que foi obrigado a abrir a entrada da garagem do condomínio. Por ali entraram três carros pretos (um Volkswagen Tiguan, uma Land Rover e uma Pajero) com o resto da quadrilha - entre 8 e 12 criminosos fortemente armados. Uma vítima diz ter visto um fuzil com os bandidos.

O grupo invadiu quatro apartamentos no prédio, que tem só uma unidade por andar. Em um deles, o bando recolheu joias avaliadas em R$ 500 mil. Os assaltantes perguntaram ao porteiro sobre o morador da cobertura, no 18.º pavimento, o que leva a polícia a suspeitar que o crime pode ter sido praticado por pessoas que conheciam o edifício.

Algumas das 16 câmeras de vigilância do prédio foram tapadas com espelhos e o computador que registra as imagens do circuito interno, levado pelos criminosos. Vídeos registrados por câmeras de imóveis vizinhos estão sendo analisados pela polícia. Em um deles, é possível ver o momento da fuga dos assaltantes nos carros, por volta das 7h.

De acordo com o auxiliar de serviços gerais João Manuel Pereira Santos, de 31 anos, alguns dos bandidos usavam gorros ninjas. Ele foi uma das vítimas amarradas com abraçadeiras plásticas pelos criminosos, que chegaram a chutá-lo na perna esquerda. Santos disse que ele, cinco empregadas e quatro moradores foram levados para a sala do apartamento do primeiro andar, onde foram obrigados a permanecer sentados e de cabeça baixa.

O auxiliar chegava para trabalhar no prédio, às 6h, quando foi rendido. Ele ia distribuir os jornais no edifício. "Todos estavam armados. Um deles até encostou uma arma na minha cabeça", afirmou Santos, que, à tarde, ainda exibia ferimentos nos pulsos causados pelas algemas de plástico.

Além de joias, os criminosos apanharam 2,5 mil, US$ 1,2 mil e R$ 16,4 mil em espécie. Relógios das marcas Rolex e Gucci, dois iPads e um iPhone também foram roubados dos quatro apartamentos invadidos. Uma vítima já reconheceu um dos bandidos por meio de fotos mostradas pela polícia. Apesar disso, até as 19 horas, nenhum suspeito havia sido preso.

Bom Retiro. Um pequeno prédio residencial na Rua Silva Pinto, no Bom Retiro, região central, também foi alvo de ladrões, 18h30 de anteontem, três criminosos invadiram um dos apartamentos do edifício e amarraram o morador, um comerciante de 48 anos. A vítima disse que foi surpreendida pelos suspeitos. Como anunciaram o roubo sem usar armas, o comerciante reagiu e lutou com os bandidos, que conseguiram amarrá-lo. Ele foi agredido e ameaçado com uma faca da cozinha.

Os assaltantes saíram levando carteira, quatro celulares, um videogame, um tocador de MP3, duas pulseiras, um par de brincos, dois bonés e R$ 1,1 mil. Antes que conseguissem roubar outros apartamentos, eles foram descobertos e tentaram fugir, mas foram presos por policiais militares. Um dos ladrões era foragido: ele fugiu de uma penitenciária em Franco da Rocha.   

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