JOSÉ PATRÍCIO/ESTADÃO
JOSÉ PATRÍCIO/ESTADÃO

Tio de Gurman vai julgar cassação de CNH por embriaguez

Arquiteto presidirá órgão do Detran criado para analisar recursos de motoristas flagrados com base na Lei Seca em São Paulo

Rafael Italiani, O Estado de S. Paulo

12 Novembro 2015 | 03h00

O arquiteto Nilton Gurman, de 56 anos, vai presidir o órgão do Departamento Estadual de Trânsito (Detran) criado só para julgar recursos de motoristas flagrados com base na Lei Seca em São Paulo. Ele é tio de Vitor Gurman, jovem que em 2011 virou símbolo do combate à embriaguez ao volante depois de ser atropelado e morto na Vila Madalena, zona oeste da capital.

Entre janeiro e julho deste ano, segundo dados do Detran, foram registrados 26.295 flagrantes baseados na Lei Seca no Estado, e 13.373 condutores tiveram a Carteira Nacional de Habilitação (CNH) suspensa.

O arquiteto assumirá, até sexta-feira, a direção da primeira Junta Administrativa de Recursos de Infração (Jari) do Brasil criada só para as infrações administrativas de alcoolemia. A junta foi instituída por meio de decreto em outubro com o objetivo de uniformizar os julgamentos que terminam com CNHs suspensas pela infração. 

O órgão vai ficar dentro da sede do Detran e receberá os recursos que antes eram apresentados pelos motoristas em uma das 37 Jaris do Estado. Segundo o departamento de trânsito, isso deve reduzir de dois meses para uma semana o tempo de análise das justificativas. 

Gurman foi eleito pelos membros da nova Jari e diz que o cargo é “uma extensão do trabalho” realizado pela entidade composta por ele e outros familiares de mortos por motoristas bêbados, a “Não foi acidente”.

“Os recursos normalmente são simples relatórios. O motorista sabe que está errado e tem três instâncias para recorrer. O julgamento precisa ser mais célere”, afirmou o arquiteto.

O diretor-presidente do Detran, Daniel Annenberg, explicou que a nova Jari deve dar mais agilidade aos processos. “Tinha Jaris espalhadas por todo o Estado e todas julgavam os recursos de alcoolemia. Nós centralizamos. Não havia padronização e cada uma julgava de forma diferente.”

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