Tio-bisavô de Kassab é santo maronita

São Naantalla Kassab viveu no Líbano no século 19 e foi canonizado em 2004 pelo papa João Paulo II

Bruno Ribeiro, O Estado de S.Paulo

12 de setembro de 2010 | 00h00

Trânsito, excesso de lixo, superpopulação e falta de vagas em creches. O prefeito Gilberto Kassab (DEM) é um homem comum encarregado de resolver esses e outros problemas. A diferença dele para os outros 11 milhões de habitantes de São Paulo é que, se quiser pedir um milagre, pode rezar para a própria família. São Naantalla Kassab, beatificado em 1998 e canonizado pelo papa João Paulo II em maio de 2004, é tio-bisavô do prefeito da capital.

Naantalla Kassab é um dos quatro santos da Igreja Maronita, religião fiel ao Vaticano com sede no Líbano, terra de origem da família do prefeito. Ele viveu no século 19 e teria feito milagres tanto em vida quanto após a morte, em 1858.

Na Igreja Maronita, São Naantalla Kassab também é chamado de "Al-Hardini". "Não é bem um apelido. É que é tradição chamar uma pessoa pelo nome da região de onde ela vem. Hardini é a região onde nosso santo nasceu", diz o padre Sleiman Eid, também conhecido como padre Salomão, pároco da Catedral Nossa Senhora do Líbano, na Liberdade, no centro de São Paulo.

"Há uma proximidade, mas ele não é tão próximo", diz o prefeito, ao comentar a ligação com o parente santificado. "Ele foi canonizado há alguns anos e, para a família, é um motivo de orgulho", diz. A resposta séria, dada antes de uma entrevista coletiva na sexta-feira, foi feita depois de um momento de descontração. "São dois santos na família. Ele e eu", brincou Kassab, cujo "milagre" mais famoso, por enquanto, é a Lei Cidade Limpa, aprovada em 2007 e até hoje sua principal vitrine política.

Milagres. São vários os milagres atribuídos a São Naantalla Kassab, incluindo a devolução da visão a dois homens. Conforme a tradição maronita, ele teria ainda ressuscitado um bebê tido como morto - cujo nascimento já seria fruto de um milagre, uma vez que a mãe da criança era considerada estéril. A mãe, de origem muçulmana, teria prometido que, se Kassab lhe desse a graça de ser mãe, batizaria o menino na fé cristã.

Perfis. O prefeito é formado em Engenharia Civil e em Economia e está na vida pública desde 1980. Seu tio-bisavô era padre e nasceu em 1808. "Ele foi professor de São Charbel, o que é muito importante para nós. Somos o que as pessoas falam de nós. As pessoas falavam de Hardini como um homem muito religioso e fiel", afirma o padre Salomão. Ainda vivo, Naantalla teria sido agraciado com um milagre que encheu cestos de mantimentos de sua igreja em um momento de dificuldades. Ele morreu após uma infecção.

No ano passado, o prefeito visitou a cidade onde São Naantalla Kassab e seu próprio avô viveram. Em Hardini, a família Kassab é tida como profundamente religiosa. Dos sete irmãos do santo, dois eram monges e uma era monja.

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