Tinta causa acidentes em ciclovia da Marginal

Pista da Pinheiros fica escorregadia em dias de chuva; ciclistas relatam quedas

Felipe Oda do Jornal da Tarde, O Estado de S.Paulo

08 de maio de 2010 | 00h00

A tinta vermelha usada na ciclovia da Marginal do Pinheiros tem causado acidentes, principalmente em dias chuvosos. Funcionários da Linha 9- Esmeralda da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM) e usuários da via, inaugurada em 27 de fevereiro, relatam a frequência de quedas e derrapagens provocadas por falta de aderência. Em 66 dias, 30 ocorrências foram registradas ? média de uma queda a cada dois dias.

A CPTM nega que o problema tenha relação com a pintura e afirma que a quantidade de acidentes é inexpressiva em relação aos cerca de 700 ciclistas que o local recebe diariamente.

O número de ocorrências, porém, divulgado pela Assessoria de Imprensa da CPTM, é questionado pelos funcionários das estações. "Quando chove, isso aqui vira um sabão. Muita gente que cai e é atendida nas plataformas não é contabilizada pelo registro de ocorrências interno", diz o encarregado de estação Joaquim Dias de Araújo, de 38 anos.

Acostumada a treinar duas vezes por semana na via, a economista Beatriz Aliberti, de 49, não conseguiu evitar uma queda. "Pedalava após a chuva e a pista estava molhada. Não me machuquei, mas naquele dia vi muita gente caindo. Acho que o piso não absorve a água. Parece que a tinta impermeabilizou. Poças de água são comuns depois das chuvas."

Para o especialista em Mobilidade Urbana Ricardo Correa, o problema pode ser a maneira como a tinta foi usada. "A tinta pode seguir as especificações técnicas e ser emborrachada, mas pode ter sido mal aplicada. Podem ter diluído muito o produto e ter prejudicado a aderência."

A necessidade da pintura é contestada por Correa. "Em outras ciclovias pelo mundo, quando existe a segregação física entre o espaço da ciclovia e as pistas de automóveis, a pintura total, como em Pinheiros, não é usada." Uma forma de manter a aderência dos pneus e a segurança dos ciclistas, segundo ele, seria o asfalto puro.

Seja qual for o motivo da pista escorregadia, o ciclista e diretor-geral do Instituto Ciclo Br, André Pasqualini, defende o novo espaço para as bicicletas, mas discorda quando a CPTM atribui os acidentes à imperícia dos usuários. "Erros são comuns. Ainda não temos experiência em sistemas cicloviários. A CPTM não pode generalizar e acreditar que 100% dos acidentes são provocados pela falta de atenção e habilidade", reclama.

Ondulações. A ciclovia da Marginal do Pinheiros recebe outras críticas. Ciclistas reclamam também das ondulações. "O local é excelente, mas os buracos e rachaduras comprometem a pista", diz o mecânico Silvestre Nogueira Ribeiro, de 39 anos.

O mesmo problema é observado pelo estudante universitário Carlos Rasch, de 19 anos. "Tirando a irregularidade do asfalto, a pista é muito boa. Sem as ondulações seria mais macia."

Novos trechos. A ciclovia tem 14,8 quilômetros de extensão e três pontos de acesso. Nada incomoda mais alguns usuários do que a dificuldade de entrar na via e os poucos pontos de atendimento. "São serviços que facilitariam e deixariam o lugar ainda melhor", afirma atendente Cláudia Ferreira Santos, de 27 anos.

Até segunda-feira, 47.280 ciclistas usaram a via, que ocupa a margem leste do rio, no sentido Cidade Universitária, entre a Estação Vila Olímpia e a Rua Miguel Yunes, zona sul. A Secretaria Estadual de Saneamento e Energia quer finalizar o projeto de expansão neste mês. Além de estender a pista leste até o Parque Villa-Lobos (6 km), na zona oeste, a pasta pretende construir o trecho oeste. Detalhes da obra não foram divulgados.

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