Denny Cesare/Estadão
Denny Cesare/Estadão

'Tinha um casal. Ele atirou uma vez em cada um e eu saí correndo'

Testemunha do ataque a tiros na Catedral de Campinas conta que no momento havia cerca de 20 pessoas rezando na igreja; suspeito teria se matado após ser atingido pela polícia

Felipe Resk, ENVIADO ESPECIAL

11 Dezembro 2018 | 19h23

CAMPINAS - No início da tarde desta terça-feira, 11, o aposentado Pedro Rodrigues, de 66 anos, conta que passou em frente à Catedral Nossa Senhora da Conceição, no centro de Campinas. Apesar de ser evangélico, sentiu que deveria entrar e fazer uma oração. Iniciada às 12h15, a missa já estava acabando. Aos poucos, as pessoas foram deixando o local, mas cerca de 20 pessoas continuaram orando mesmo com a saída do padre, relata o aposentado. "Foi muito rápido", diz.

Sentado em um banco na diagonal da frente, um homem levantou de repente e se virou com uma pistola 9 mm na mão. "Só vi que tinha um casal, ele atirou uma vez em cada um e eu saí correndo", diz.

Identificado pela polícia, o atirador era Euler Grandolpho, de 49 anos, que teria iniciado um ataque a esmo contra os fiéis. Após ser baleado pela PM, ele teria se matado com um tiro na cabeça. O motivo do ataque é investigado.

"Ele não disse nada antes de atirar. As pessoas começaran a correr", afirma Rodrigues. "Na hora, já pensei que era uma chacina."

O aposentado conseguiu sair da igreja sem ser atingido. Na porta, parou para respirar, mas viu um homem baleado no ombro, tentando fugir. "Fiquei com medo e sai correndo até a rua."

Os PMs chegaram em questão de segundos. "Ouvi muita sirene, mas não sabia o que estava acontecendo", comentou o vendedor de uma loja de móveis. "Na hora, a gente não sabe se fecha a porta ou se tenta ajudar. As pessoas saíam correndo, gritando, chorando. Fiquei com muito medo", descreveu uma colega.

À tarde, a praça ficou tomada por curiosos, e a perícia teve de isolar o perímetro da igreja. Com celular, as pessoas gravavam autoridades dando entrevista ou faziam imagens da catedral.

Entre elas, faziam especulações sobre o motivo do crime. No Whatsapp, mostravam umas às outras a foto do atirador, de camisa azul, caído próximo ao altar. A maioria dizia nunca ter visto Grandolpho antes.

Vítima. A doméstica Edna Rodigues achou a irmã, Lourdes Rodrigues, 79, uma das vítimas. Ela foi internada no Hospital Mário Gatti, mas está bem. "Não vai precisar nem de cirurgia, graças a Deus. Ela vive na igreja e eu também. Era para estar lá, mas peguei uma faxina. Foi por Deus."

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