Thor é indiciado por morte de ciclista no RJ

Filho de Eike Batista trafegava pela Rodovia Washington Luís, onde o limite é de 110 km/h, a 135 km/h e vai responder por homicídio culposo

FÁBIO GRELLET / RIO, O Estado de S.Paulo

12 de maio de 2012 | 03h04

Thor Batista, de 20 anos, filho do empresário Eike Batista, foi indiciado por homicídio culposo, quando não há a intenção de matar, pelo atropelamento do ciclista Wanderson Pereira dos Santos, de 30 anos. O acidente aconteceu na Rodovia Washington Luís, em Duque de Caxias, Baixada Fluminense, no dia 17 de março.

Segundo a perícia, Thor conduzia seu Mercedes-Benz SLR McLaren, avaliado em R$ 3 milhões, a 135 km/h. O limite permitido na rodovia, no entanto, é de 110 km/h. Se tivesse trafegado dentro da velocidade permitida, ele não seria indiciado, e o ciclista seria considerado o único responsável pela própria morte, porque estaria com a bicicleta no meio da pista.

O inquérito produzido pelo delegado Mário Roberto Arruda, da 61.ª Delegacia de Polícia (Xerém), será enviado na próxima segunda-feira ao Ministério Público Estadual, que vai decidir se Thor será ou não denunciado à Justiça pelo crime.

Em nota, os advogados Márcio Thomaz Bastos e Celso Vilardi contestaram a conclusão da perícia. "Da forma como foi lançada no documento, a velocidade é uma afirmação que se traduz em peça de ficção científica, sendo impossível compreender como os peritos chegaram ao resultado", afirmam.

Segundo eles, um laudo particular indicou que o carro estava entre 87,1 km/h e 104,4 km/h. "Confiamos no arquivamento do inquérito policial, tendo em vista que Thor Batista não deu causa ao trágico acidente", conclui a nota dos advogados.

O exame toxicológico feito no corpo da vítima indicou que o ciclista havia ingerido bebida alcoólica em excesso. Foi detectada a concentração de 15,5 decigramas de álcool por litro de sangue. A lei considera incapaz de dirigir carro quem tiver 2 ou mais decigramas de álcool por litro de sangue.

Mais confusão. Na semana passada, Thor se envolveu em outra polêmica: sua Ferrari 458 foi apreendida durante uma blitz na Barra da Tijuca, na zona oeste do Rio, porque estava sem a placa dianteira. Na Itália, essa placa não é obrigatória: por isso o veículo é fabricado sem a base para instalá-la.

O carro, avaliado em R$ 1,5 milhão, foi retirado do depósito do Departamento Estadual de Trânsito do Rio (Detran-RJ) na quarta-feira passada e foi feita uma adaptação para instalar a placa. Apesar da infração, Thor não foi autuado pelo Detran. O órgão alegou que seu sistema de registro não estava funcionando no momento da autuação do filho de Eike. Os policiais não teriam conseguido acessar o sistema do Detran para concluir a multa. O órgão ressalta, porém, que o veículo foi apreendido - e liberado posteriormente.

Na ocasião, o Detran também não soube precisar a data do documento de compra e venda da Ferrari de Thor, para confirmar se haveria ou não irregularidade.

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