Thaís, a ''vidente do amor'', é pega no cidade limpa

Ela foi multada em R$ 40 mil por causa de cartazes em postes; outros 135 foram autuados

Paulo Saldaña, O Estado de S.Paulo

16 Fevereiro 2011 | 00h00

Thaís tem 19 anos, joga cartas, búzios e faz vidência nas águas. Apesar do dom para prever o futuro, a "vidente do amor" foi surpreendida: teve a propaganda flagrada em operação de fiscalização da Lei Cidade Limpa. Levou quatro multas de R$ 10 mil cada por espalhar faixas em postes do Itaim-Bibi e de Santo Amaro, na zona sul. Também foi autuada por não ter licença para trabalhar.

Quando fiscais da Prefeitura foram, na noite de segunda-feira, ao local dos trabalhos - uma sala comercial no Itaim, área nobre, em prédio vizinho da Enoteca Fasano -, as coisas pareciam correr bem. Um cliente recebia as previsões e outro aguardava a sua sorte. Depois da fiscalização, porém, a vidente preferiu se recolher. Ontem, ela não atendeu nenhum coração desesperado e também se recusou a falar com a reportagem. "Não faremos nada até regularizar a situação com a Prefeitura", informou Márcio Silva, o secretário e responsável pela agenda de Thaís.

Segundo Márcio, eles não têm culpa pela propaganda irregular. Teria sido um cliente que, exaltado com o amor alcançado por meio da intercessão da vidente, espalhou as faixas pela cidade - como fazem os devotos de Santo Expedito. "Além da consulta (a R$ 50), o cliente só paga depois de dar certo. Esse também quis agradecer assim, achou que ajudaria", defende-se Márcio.

Não é a primeira vez que a "Vidente do Amor" é multada por propaganda irregular. Em 2008, a Prefeitura flagrou faixas com esse título. Márcio garante que se trata de uma outra sensitiva. "Essa também se diz "vidente do amor", mas é outra. Não sabíamos das faixas", diz ele. Na internet, um site com o mesmo telefone das faixas de 2008 informa que ali está a original: "Qualquer pessoa com este nome é pura farsa", avisa o endereço eletrônico. No número, ninguém atendeu.

Segundo o coordenador do grupo especial da Cidade Limpa, José Rubens Domingues Filho, esse tipo de propaganda nos postes é um dos focos da fiscalização. "Essas placas de vidência, persiana e carreto emporcalham a cidade. Por isso, a ação é constante nesses pontos e no comércio tradicional", diz ele, para quem a poluição visual tem se fortalecido na cidade. Ontem, na maior blitz do ano, foram aplicadas 136 multas, no total de R$ 1,3 milhão.

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