Testemunhas rebatem relato do réu

Lindemberg nega depoimentos dados pela família de Eloá, por amigos e policiais e diz que havia reatado namoro, dias antes da tragédia

O Estado de S.Paulo

16 de fevereiro de 2012 | 03h08

As contradições em relação aos depoimentos de testemunhas do caso marcaram o interrogatório de Lindemberg Alves ontem, no Fórum de Santo André, no ABC. A principal delas se refere a uma suposta traição de Eloá Pimentel. Segundo o réu, o casal havia rompido um mês antes do crime. Ele declarou, porém, que "cinco ou seis dias antes de 13 de outubro (início do cárcere privado), tinha reatado", após Eloá flagrá-lo com uma outra jovem que conhecera em um samba.

Apesar da reconciliação, o namoro seria mantido em segredo. Mesmo assim, Lindemberg afirmou que continuou a frequentar a casa da vítima. Foi o que disse ter feito depois do almoço do primeiro dia do crime, quando sabia que Eloá já havia voltado da escola, pensando que a encontraria sozinha. No apartamento, porém, estavam também Nayara Rodrigues da Silva, o então namorado dela, Iago Vilera de Oliveira, e Victor Lopes de Campos, todos com 15 anos na época. "Ela ficou nervosa porque pensava que eu estaria trabalhando e ficou tentando se explicar, porque sabia que eu não conhecia o Victor", disse, no depoimento.

Lindemberg afirma ter ouvido do próprio Victor que ele teria "dado uns beijos nela", sem saber que Eloá havia reatado com o namorado - informação que não bate com o depoimento do rapaz nem com os dos demais amigos de Eloá. Segundo eles, a jovem não teve nenhum outro relacionamento e estava rompida com Lindemberg.

O réu disse ainda que, só após a suposta confissão de Eloá, sacou a arma, outra informação diferente da apresentada por testemunhas. "Ela começou a gritar e eu saquei a arma e disse: 'Para de gritar'", afirmou.

Nesse momento, Lindemberg relata que Eloá ficou "mais calma". Ele ressaltou na sequência que foi até o quarto onde estavam os três amigos dela e pediu que se retirassem. "Mas eles não aceitaram, disseram que só desceriam com ela." Os rapazes alegaram ter sido agredidos a coronhadas, o que também não bate com o interrogatório de Lindemberg. Mais tarde, segundo ele, Iago e Victor só resolveram sair do apartamento porque passaram mal. Os três negaram que estivessem livres para sair.

Outra contradição diz respeito à chegada de Lindemberg ao apartamento de Eloá. O irmão dela, Everton Douglas Pimentel, de 17 anos, afirmou que foi deixado por Lindemberg em um parque longe de casa só para que o acusado pudesse ficar sozinho com Eloá. O réu, no entanto, afirma ter conversado com o rapaz por apenas dez minutos.

Lindemberg também não assume ter atirado da janela em direção ao sargento da Polícia Militar Atos Valeriano. "Eu estava muito nervoso e tomei atitudes impensadas. Atirei para o chão para manter a polícia longe do apartamento." De acordo com o depoimento dos jovens mantidos no cativeiro pelo réu, o rapaz teria até comemorado o fato de quase ter atingido o policial.

Acaso. De acordo com a versão apresentada por Lindemberg, uma sucessão de acasos acabou levando ao fim trágico. A começar pela arma que usava, comprada por R$ 700 de um homem que conheceu em um parque após receber três ameaças de morte por telefone. "Era um senhor que precisava do dinheiro para voltar para a terra dele", disse. O rapaz também afirmou só ter ido ao apartamento de Eloá porque um dia antes havia ido a uma balada e perdido a hora para chegar ao trabalho. / ADRIANA FERRAZ e ARTUR RODRIGUES

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