Testemunhas ajudam a reconhecer suspeito de matar irmãos

Adolescentes estão vendo o retrato falado do suspeito para cruzar com fotos dos arquivos da polícia

Rodrigo Pereira, do Estadão, e Gilberto Amendola, do JT,

26 de setembro de 2007 | 16h42

Dez pessoas, a maioria adolescentes moradores das imediações do Jardim Paraná, na zona norte de São Paulo, estão sendo ouvidas pela polícia, na tarde desta quarta-feira, na sede do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP). Segundo informações policiais, os jovens estão auxiliando no reconhecimento do suspeito de ter assassinado os irmãos Francisco Ferreira de Oliveira Neto, de 14 anos, e Josenildo José de Oliveira, de 13, na Serra da Cantareira.   Um homem conhecido na região onde Josenildo e Francisco moravam e foram mortos como "Irmão do Mudinho" é o principal suspeito do assassinato dos dois irmãos. O retrato falado do suspeito foi feito com base no depoimento de três adolescentes que procuraram a polícia para relatar que foram presos por um homem negro, aparentando 30 anos, 1,7 m de altura, cabelo raspado e uma cicatriz sobre o olho direito, antes do desaparecimento dos irmãos. A polícia agora está cruzando depoimentos destes jovens com o banco de dados da polícia, para ver se a identidade do suspeito é revelada.   Segundo a polícia, ainda é cedo para afirmar que o mesmo homem tenha cometido outros dois assassinatos. Duas ossadas foram encontradas no local, uma em abril e outra em junho deste ano. A polícia ainda precisa fazer a perícia nos corpos para afirmar se existem semelhanças entre os crimes.   Revolta no enterro   O enterro dos irmãos teve de ser antecipado, para o final da manhã desta quarta-feira, porque a mãe dos garotos, Rita de Oliveira, passou mal. Mais de 200 pessoas acompanharam o velório, no Cemitério Municipal da Vila Nova Cachoeirinha, na zona norte de São Paulo.   Os dois foram encontrados mortos, na terça-feira, na Serra da Cantareira, na zona norte de São Paulo. Os primeiros indícios mostram que os garotos, desaparecidos desde sábado, foram torturados e sofreram abuso sexual. Um deles tinha várias perfurações no corpo, provavelmente provocadas por uma lança de madeira.   Medo na região   O clima no local era de muita emoção. Transtornada com o assassinato dos dois filhos, Rita precisou ser acodida por vizinhos, porque não conseguiu acompanhar o cortejo fúnebre dos filhos. "Perdi meus tesouros, não sei como vou viver sem eles", falava aos prantos. O padastro dos meninos, José Justino da Silva, também não conseguiu acompanhar o enterro.   Os assassinatos amedrontaram os moradores do Jardim Paraná, na periferia da zona norte de São Paulo. Por causa do temor, vizinhos dos garotos farão, na tarde desta quarta, um protesto em frente ao CEU da Paz, na rua em que as vítimas moravam. Os moradores vão se reunir para pedir justiça.   "A gente que tem filhos não consegue ficar em paz com uma notícia dessas. A impressão que dá é que todos os maníacos que estão soltos procuram a Serra do Mar para cometer suas maldades. O jeito é mudar daqui. Assim não dá para ficar", afirmou Fátima Oliveira de Souza, vizinha dos meninos e mãe de três crianças.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.