Testemunha liga cúpula da Secretaria de Finanças de Kassab a quadrilha do ISS

Uma testemunha do Ministério Público Estadual (MPE) afirma que o núcleo da Secretaria Municipal de Finanças da gestão de Gilberto Kassab (PSD) frequentava o escritório mantido pela quadrilha de fiscais apelidado de "ninho da corrupção". O depoimento revela a ligação do líder do grupo, Ronilson Bezerra Rodrigues, com o ex-secretário Walter Aluísio Morais Rodrigues, e seu adjunto, Silvio Dias. Também afirma que o empresário Marco Aurélio Garcia, irmão do atual secretário estadual de Desenvolvimento Econômico, Rodrigo Garcia (DEM), ex-aliado de Kassab, devia R$ 1 milhão a Rodrigues.

O Estado de S.Paulo

15 Novembro 2013 | 02h10

O depoimento, datado de 6 de novembro, é de uma mulher que tinha um relacionamento íntimo com Rodrigues. A mulher, que frequentava o escritório da quadrilha, afirma que Rodrigues passou a fazer confidências sobre seus delitos após o início da investigação da Controladoria-Geral do Município (CGM), neste ano.

Segundo afirmação da testemunha, Walter Aluísio, secretário de Finanças de janeiro de 2008 a janeiro de 2011, esteve "algumas vezes" no escritório de Rodrigues, com quem tinha negócios. "Walter queria que Ronilson (Rodrigues) participasse de consultorias tributárias para outros municípios, por meio de uma empresa na qual acredita que Silvio Dias fazia parte", diz o depoimento. Ainda segundo o relato, Rodrigues e Aluísio chegaram a viajar juntos para Campos do Jordão, no interior, Santos, no litoral, e Belo Horizonte (MG). Atualmente, Walter Aluísio é sócio de uma empresa de consultoria e planejamento.

A testemunha diz que Rodrigues e Silvio Dias, secretário adjunto de janeiro de 2008 a janeiro de 2011, eram amigos. "Silvio solicitava a Ronilson que verificasse o andamento de alguns processos administrativos no setor de finanças", diz o relato.

A mulher afirma que os dois nunca conversavam sobre o assunto na Prefeitura e que acredita que "ele estava atendendo favores de terceiras pessoas". Questionada sobre a situação de Dias, que é procurador do Município, a Prefeitura informou que ele é investigado pela CGM e que a exoneração dele deve ser publicada hoje no Diário Oficial da Cidade.

A pedido de Dias, Rodrigues chegou a fazer pesquisa de dados do Cadastro Contribuinte Mobiliário. Rodrigues contou à testemunha que ficou sabendo que o contribuinte pesquisado era Antonio Palocci, então ministro da Fazenda. A evolução patrimonial da empresa de Palocci vazou à imprensa e o ministro caiu. Após o início das investigações, Rodrigues acreditava estar sendo perseguido pelo PT por causa disso.

Empréstimo. A declaração dada ao MPE também afirma que Marco Aurélio Garcia, irmão de Rodrigo Garcia, havia pego pelo menos R$ 1 milhão emprestado de Rodrigues. Apelidado de Lello, ele havia emprestado a Rodrigues o escritório no Largo da Misericórdia, na região central de São Paulo, onde o MPE apurou que Rodrigues e o fiscal Eduardo Barcellos se reuniam. Em troca, Rodrigues não pagava aluguel, apenas o condomínio e a limpeza.

A mulher ouvida também conta que Garcia recebia dinheiro de Rodrigues e de outro auditor fiscal suspeito de participar do esquema de fraudes nos tributos municipais. "Ronilson (Rodrigues) arrecadava o dinheiro de Fábio (Camargo Remesso, outro fiscal, já exonerado) e entregava para Lello, que certa vez recebeu um cheque emitido pela mulher de Barcellos. Ronilson e Lello eram amigos", afirma a testemunha ao MPE. "Ronilson ficou muito contente com a cessão das salas, e foi pela primeira vez naquele escritório com o empregado do Lello e pediu para Jairo (funcionário de Rodrigues) buscar as chaves com Lello", diz o depoimento.

A testemunha não cita o ex-prefeito Kassab. Sobre o sucessor de Walter Aluísio na Secretaria de Finanças, Mauro Ricardo, ela afirma que ele desconhecia o vazamento das informações sobre Palocci. / ARTUR RODRIGUES, BRUNO RIBEIRO, DIEGO ZANCHETTA e FABIO LEITE

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.