Testemunha do caso Nenê Constantino sofre atentado

Testemunha-chave contra o empresário Nenê Constantino, fundador da Gol Linhas Aéreas, o ex-empregado João Marques dos Santos sofreu atentado a bala e está internado em um hospital de Brasília sob proteção policial. Nenê é acusado de mandar matar um líder comunitário e atentar contra a vida do ex-genro Eduardo Queiroz.

Vannildo Mendes, O Estado de S.Paulo

23 Fevereiro 2011 | 00h00

Santos havia confessado participação nos dois crimes, supostamente a mando do patrão, e tem depoimento marcado para dia 1.º de março no fórum da cidade-satélite de Taguatinga.

Ele foi atingido por três tiros - dois na barriga e um na perna - na última sexta-feira, na porta de casa, em Águas Lindas, periferia do Distrito Federal. Os agressores não foram presos. A polícia e o Ministério Público investigam o atentado.

Ouvido ontem pelo promotor Bernardo Urbano, Santos disse que o autor dos disparos seria um policial civil chamado Nogueira, afastado das funções por envolvimento em crimes. Ele estava hospedado na casa de um comerciante de Águas Lindas, Reginaldo Costa. Segundo Santos, há duas semanas ele foi procurado por Nogueira e Vanderlei Batista da Silva - capataz de Nenê e também réu no processo do atentado contra o genro do empresário. O capataz teria perguntado se Santos não mudaria o depoimento. Ele disse que não.

Na sexta-feira, Nogueira foi de novo à casa. Santos saiu à porta com o filho no colo e, ao colocá-lo no chão, foi baleado. Ele tentou correr, mas recebeu outros dois tiros e tombou. Agora, está internado com nome falso - por medida de segurança.

O depoimento do dia 1.º deve ser mantido. O advogado de Nenê, Marcelo Bessa, negou todas as acusações. A Gol informou que não comentaria as denúncias porque o empresário está formalmente desligado da companhia desde 2001.

PARA LEMBRAR

Santos admitiu que fazia serviços de pistolagem para Nenê. Disse ter participado de oito assassinatos, entre os quais o do líder comunitário Márcio Brito, morto com três tiros em 2001.

Brito comandou ocupação do terreno onde está a garagem de ônibus da viação de Nenê, em Taguatinga.

Eduardo Queiroz levou à polícia o que seriam provas do envolvimento de Nenê na morte do líder comunitário. Em 2008, um homem tentou baleá-lo - sem sucesso.

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