EFE/SEBASTIÃO MOREIRA
EFE/SEBASTIÃO MOREIRA

Testemunha de chacinas na Grande SP é assassinada

David Filho foi baleado na sexta em Osasco; informações sobre crimes de 2012 e 2013 resultaram em 5 prisões

O Estado de S. Paulo

07 Novembro 2015 | 23h08

Um segurança particular que era a principal testemunha de chacinas com o envolvimento de policiais militares na Grande São Paulo em 2012 e 2013 foi assassinado na manhã de anteontem. David Sabino de Oliveira Filho, de 32 anos, foi morto a tiros na frente de um pequeno comércio que mantinha em Osasco, onde parte dos assassinatos em série aconteceu.

A testemunha forneceu várias informações sobre mortes em série ocorridas em Osasco e Carapicuíba em 2012 e 2013. Na época, ele trabalhava como segurança particular na cidade e chegou a trabalhar com policiais militares. Seus depoimentos resultaram em cinco prisões preventivas e na identificação de um sexto suspeito, que está foragido, segundo relatou em nota a Secretaria de Segurança Pública (SSP). 

Oliveira Filho foi baleado por volta de 10h30 de sexta-feira na Avenida João de Andrade, Jardim Roberto, bairro de Osasco. De acordo com informações da SSP, uma testemunha viu três homens atirarem contra o segurança. Não foi possível, entretanto, identificar os atiradores.

Depois dos disparos, a vítima caiu dentro de um salão de beleza que fica ao lado do estabelecimento de venda de águas que ele havia aberto na cidade. O assassinato da testemunha foi noticiado ontem pelo jornal Folha de S. Paulo

Um carro do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) foi acionado, mas, quando chegou ao local, Oliveira Filho já estava morto. O corpo foi enterrada ontem no Cemitério Municipal Jardim Santo Antonio, também em Osasco.

Proteção. A morte é investigada pelo Setor de Homicídios da Polícia Civil da cidade, que começou a colher depoimentos anteontem.

Ainda de acordo com a Secretaria de Segurança, Oliveira Filho foi convidado diversas vezes para entrar para o programa de proteção à testemunha, “mas sempre negou”. Ele chegou a ficar escondido, mas recentemente voltou a Osasco e tentava tocar a vida normalmente.

Em agosto, outras chacinas ocorridas em Osasco e Barueri deixaram 23 mortos. Seis policiais e um guarda-civil foram presos sob a suspeita de participarem dos crimes. A série de crimes teria acontecido em retaliação à morte de um policial militar dias antes.

Ao investigar a suspeita de participação de policiais militares em uma chacina em Carapicuíba, a Corregedoria da PM chegou à conclusão de que há uma organização criminosa montada dentro da corporação, que vem praticando vários crimes na região, como noticiou o Estado em 20 de outubro.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.