Testemunha confirma que voz adolescente ameaçava dentista

A polícia devolveu uma aliança roubada da testemunha na tarde em que Cinthya Magaly Moutinho foi queimada viva

André Cabette Fábio,

01 Maio 2013 | 10h39

Em segundo depoimento, a testemunha do assassinato de Cinthya Magaly Moutinho de Souza, de 46 anos, confirmou na terça-feira, 30, que a voz que ameaçava a dentista era a de um adolescente, disse o delegado titular do 2° Distrito Policial de São Bernardo do Campo, Roberto Bueno Menezes.

Cinthya foi queimada viva no dia 25 no consultório que funcionava na casa onde morava, em São Bernardo do Campo, no ABC Paulista. A testemunha ouvida pela polícia, uma mulher que não foi identificada, estava sendo atendida pela dentista quando foi rendida pelo grupo de quatro bandidos. Vendada e imobilizada durante o ataque, ela não pôde fazer o reconhecimento dos criminosos.

Menezes desqualificou também dois vídeos nos quais o menor de idade apontado como aquele que colocou fogo em Cinthya nega a autoria do crime. "Antes de pôr tudo no papel, conversei com todos os envolvidos pessoalmente no sábado e em nenhum momento o jovem falou isso [que não fora ele o responsável] pra mim. Quando não está nos autos, não está no mundo jurídico", afirmou o delegado. O caso tem sido usado por autoridades da segurança pública e pelo governador Geraldo Alckmin na defesa de punições mais rígidas de menores infratores.

Menezes contou que a aliança da paciente, que havia sido roubada no dia 25 junto com sua bolsa, dinheiro e celular, foi devolvida na terça-feira. Segundo a polícia, ela foi encontrada dentro da carteira de Victor Miguel Souza Silva, de 24 anos. Em entrevista no dia do crime, o delegado seccional Waldomiro Bueno Filho disse que a testemunha conseguia ouvir Cinthya gritando "não faz isso" e pedindo socorro.

Segundo Menezes, na terça-feira mais uma possível vítima da quadrilha foi à delegacia denunciar outro crimes. Como o caso ocorreu em outra região, ela foi encaminhada ao 5° Distrito Policial. De acordo com a polícia, o grupo de quatro bandidos era especializado em ataques a consultórios odontológicos e teria sido responsável por mais no mínimo seis casos do tipo.

Caso. Cinthya foi queimada viva no dia 25 enquanto atendia uma paciente no consultório que mantinha em casa, onde morava com os pais aposentados e uma irmã portadora de deficiência. O líder do bando, Victor Miguel Souza Silva, de 24 anos, e um menor de idade a mantinham em cativeiro, a cobriram com álcool e passaram a ameaçá-la com um isqueiro. Enquanto isso, Jonatas Cassiano Araújo, de 21 anos, se dirigiu a um posto de gasolina, para sacar o dinheiro da conta da vítima. Thiago de Jesus Pereira, de 25 anos, aguardava num Audi A3 preto para a fuga.

No caixa, Jonatas verificou que Cinthya tinha apenas R$ 30 e avisou os comparsas por celular. Irritado com a notícia, o adolescente resolveu atear fogo na vítima. Todos os acusados já foram detidos.

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