Marcelo Fernandes de Carvalho
Marcelo Fernandes de Carvalho

Testemunha afirma que viu garoto ser espancado por segurança do Habib's

Polícia Civil investiga se João Victor, de 13 anos, morreu após ser agredido; testemunha foi ignorada por policiais militares

Alexandre Hisayasu, O Estado de S. Paulo

01 Março 2017 | 16h12
Atualizado 01 Março 2017 | 22h15

SÃO PAULO - Uma catadora de material reciclável afirma ter visto o adolescente João Victor Souza de Carvalho, de 13 anos, ser agredido por “um homem forte, gordo, moreno com uniforme do Habib’s” e desmaiar em seguida. A Polícia Civil investiga se o garoto morreu após ser agredido por seguranças da lanchonete, na Vila Nova Cachoeirinha, na zona norte de São Paulo, na noite de domingo. Segundo ela disse à polícia, o homem segurou o garoto pela gola da camisa e deu um soco na cabeça dele. 

Silvia Helena Troti, de 59 anos, prestou depoimento no 28.º DP (Freguesia do Ó), que investiga o caso. Ela também conta que presenciou outro funcionário do Habib’s “alto e magro” puxar o adolescente pelos braços junto com o primeiro agressor e, juntos, seguiram de volta para a lanchonete. 

O menino desmaiou durante o trajeto e, segundo ela, espumava pela boca. Nesse momento, João Victor já estava desacordado e, só depois, bombeiros e policiais militares apareceram. Na versão de funcionários, ele estava importunando clientes e ameaçava quebrar vidro da loja. 

Silvia também disse que se ofereceu a prestar depoimento no dia dos fatos. Porém, segundo ela, os PMs que atenderam a ocorrência não quiseram ouvi-la, por achar que era “nóia”.

Nesta quarta, Silvia foi depor junto do advogado Ariel de Castro Alves, do Conselho Estadual de Defesa da Pessoa Humana (Condepe), que vai acompanhar as investigações. “Se os PMs tivessem dado crédito à testemunha, os autores desse crime bárbaro poderiam estar presos”, disse Castro. 

Os pais do garoto também prestaram depoimento. Segundo a família, João Victor costuma pedir esmolas aos clientes, contra a vontade dos pais. 

Para a Polícia Civil, não há dúvidas de que o garoto foi agredido. Os responsáveis pela investigação aguardam o laudo necroscópico para saber a causa da morte do garoto. 

Apuração. Questionada, a Secretaria de Segurança Pública informou que caso foi registrado como morte suspeita. Além da mulher, outras pessoas prestaram depoimento. A PM informa, diz a pasta, que foram arroladas três testemunhas para o registro formal na delegacia e vai analisar as circunstâncias descritas pela depoente. O Habib’s tem dito que vai colaborar com as investigações. 

Veja abaixo o depoimento da catadora de material reciclável Silvia Helena Troti:

       

 

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