Terreno vizinho já é um clarão de terra aberta

Prefeitura autorizou corte de um remanescente de Mata Atlântica com 1.787 árvores

Bruno Ribeiro e Diego Zanchetta, O Estado de S.Paulo

09 Março 2014 | 02h01

Ao lado dos terrenos onde estão agora cerca de 5 mil árvores marcadas, a Prefeitura autorizou o corte de um remanescente de Mata Atlântica com 1.787 árvores, recorde para a construção de um único condomínio. As autorizações foram dadas em março e abril de 2013 pela Secretaria Municipal do Verde e Meio Ambiente. O aval teve como base um parecer da Companhia Ambiental do Estado (Cetesb) que não considerou a área como de proteção permanente.

O documento pôs fim a um impasse que durava cinco anos - em 2008, a construtora responsável, Bueno Netto, chegou a ser multada em R$ 500 mil por cortar 206 árvores nativas do local, antes de obter as licenças.

Utilizando o entendimento estadual, uma comissão do Departamento de Parques e Áreas Verdes (Depave) da Prefeitura analisou o empreendimento em menos de quatro meses e forneceu a licença ambiental. Os trabalhos de terraplenagem começaram no fim do ano passado e grande parte da mata já foi derrubada. Vista do alto, a área do condomínio virou um clarão de terra ao lado de uma mata bem fechada, onde fica o terreno da Cyrela.

Na época, a Prefeitura informou que o corte das árvores era necessário para que a construtora fizesse a descontaminação do terreno, onde era jogado nos anos 1960 lodo retirado do fundo do Rio Pinheiros. Já a Bueno Netto afirma que a compensação será maior e chegará a "11.799 árvores de doação", ao custo total de R$ 6.388.665,71. O resultado dessa correção, porém, não será imediato. Segundo ambientalistas, a reposição demora mais de dez anos para surtir algum tipo de efeito. E, para uma floresta ser refeita, passa de 30 anos.

Preocupação. Em São Paulo, os prazos para a recuperação de uma mata nativa devastada despertam preocupação. Levantamento feito pelo Estado mostrou em 2013 que a capital perdeu, com autorização oficial, 14 árvores por dia nos últimos 14 anos. Foram 72.514 exemplares cortados de lotes e áreas verdes com aval da Prefeitura.

A vegetação nativa retirada deu espaço a prédios, shoppings, ruas, estações de metrô e outras construções. O número corresponde a quase cinco Parques do Ibirapuera - área verde com cerca de 15 mil árvores e 1,4 milhão de metros quadrados. 

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