Terreno com mata nativa é considerado 'refrigerador' local

Moradores vão usar laudo de geólogo para cobrar ação do MP, mas promotor e Cetesb negam risco ambiental

O Estado de S.Paulo

25 Maio 2013 | 02h05

Cercado por espécies nativas da Mata Atlântica, como tapiá, pau-de-viola, tamanqueiro, fumo-bravo e capororoca, o terreno é considerado um "refrigerador" das imediações. "Toda aquela área é muito rica em flora e fauna urbanas. Serve para equilibrar a temperatura do entorno. Antes de autorizar essa retirada enorme de árvores, seria necessário ter um estudo de impacto ambiental em mãos. Em obras dessa grandiosidade, é o que a lei exige", reclama o ambientalista Carlos Bocuhy.

Com base no laudo de um geógrafo que aponta supressão de vegetação nativa de Mata Atlântica em um "topo de morro" da várzea do Rio Pinheiros, a Associação Morumbi Melhor e o Movimento Defenda SP prometem recorrer ao Ministério Público do Estado com o intuito de parar a obra.

"A sociedade tem a Promotoria de Meio Ambiente para proteção dessa área de APP (Área de Proteção Ambiental), na várzea do rio, assim como também não acredita que a Secretaria Municipal da Habitação vá aprovar esse escandaloso projeto que afronta todas as regras municipais e estaduais de proteção ambiental", informa a Associação Morumbi Melhor.

Contaminação. Mas o promotor de Justiça José Eduardo Lutti, da Promotoria do Meio Ambiente, adiantou que a retirada das árvores é necessária para que o terreno possa ser descontaminado. Ele disse que a construtora terá de "cobrir a área" com terra, a uma altura de 1,5 metro. "Essa história precisa ter um fim. Discute-se essa remediação há cinco anos. Foi por causa dessa demora que a vegetação cresceu."

A Cetesb, em nota, informou que o terreno não mais constitui várzea do Pinheiros, visto que o curso d'água foi retificado e teve a vazão regularizada há anos. O órgão ressaltou ainda que a área também não é mais caracterizada como APP, já que o Córrego do Pau Arcado foi canalizado. / A.F. e D.Z.

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