Taba Benedicto/Estadão
Taba Benedicto/Estadão

Terceiro ato do MPL é marcado por confronto com a PM; dez pessoas foram detidas

PM disparou balas de borracha e bombas de efeito moral contra os manifestantes; polícia impediu que grupo caminhasse pelas ruas do centro

Marco Antônio Carvalho, O Estado de S.Paulo

16 de janeiro de 2020 | 19h56
Atualizado 16 de janeiro de 2020 | 23h08

SÃO PAULO - Dez pessoas foram detidas nesta quinta-feira, 16, em ato do Movimento Passe Livre (MPL) no centro da cidade, na região da Praça da República. A manifestação foi marcada por confronto com a polícia, que disparou balas de borracha e usou bombas de efeito moral contra os manifestantes. Os acessos à estação República do metrô foram fechados. A PM não informou o motivo das detenções. 

Alegando as condições de trânsito e os alagamentos na cidade, a Polícia Militar impediu a passeata, que sairia do Teatro Municipal em direção à Avenida Paulista. Um mediador da corporação informou ao grupo de dezenas de pessoas que eles poderiam se concentrar em frente ao Teatro, mas que não deveriam sair dali. 

Sustentando que o trajeto já havia sido apresentado previamente e o direito à manifestação, o grupo se esquivou da barreira montada por dezenas de policiais e seguiu do Teatro até a Praça da República. No caminho, os policiais voltaram a tentar impedir a passeata, o que causou confusão na altura da Avenida São João.

O ato seguiu até a Praça da República, onde encontrou reforço policial composto por agentes do Batalhão de Ações Especiais (Baep). Foi o terceiro protesto do MPL deste ano contra a alta da tarifa do transporte público, que desde 1º de janeiro passou de R$ 4,30 para R$ 4,40. Eles criticam o aumento e pedem melhoria na prestação do serviço à população. 

Por volta de 20h, a PM voltou a usar bombas e dispersou um grupo que estava na Avenida Ipiranga. Houve correria pelas ruas adjacentes, como a Rua Barão de Itapetininga, onde estabelecimentos foram fechados às pressas. Em meio à confusão, uma agência bancária foi depredada na rua Sete de Abril. Logo depois, o ato se dispersou. 

As detenções dos manifestantes aconteceram quando o movimento já tinha perdido parte da adesão e restavam poucas dezenas de pessoas posicionadas na Avenida Ipiranga. As primeiras prisões foram de mulheres que compunham a linha de frente e seguravam uma faixa do grupo. Ao tentar acompanhá-las e prestar apoio, outra mulher foi puxada pelo cabelo e também detida. 

Depois das prisões, manifestantes atiraram pedras em direção aos policiais, que responderam com bombas e balas de borracha.

O fotógrafo da Ponte Jornalismo Daniel Arroyo relatou pelas redes sociais do veículo que levou três chutes de um policial militar enquanto cobria a manifestação. “Dá para perceber que estou trabalhando, estou com credencial, câmera na mão, capacete. Tomei três chutes da tropa militar”, disse.

Em redes sociais, pessoas que participavam do ato postaram vídeos mostrando a repressão policial. 

Em nota, a Secretaria da Segurança Pública disse que a Polícia Militar agiu para garantir o direito à livre expressão e a segurança de todos. A pasta disse que uma policial ficou ferida no protesto desta quinta. As detenções ocorreram contra oito adultos e dois adolescentes por desacato e lesão corporal. Os casos foram encaminhados para o 2º DP (Bom Retiro). A polícia está ouvindo o grupo na delegacia para registrar o ocorrência. 

O Estado questionou a secretaria sobre a restrição ao deslocamento previsto pela manifestação, mas essa pergunta não foi respondida.

Na concentração do ato, a integrante do MPL Gabriela Dantas afirmou que o MPL deve continuar fazendo outros protestos. "Vamos ficar firmes, não vamos sair da rua. Não vamos baixar a cabeça diante da repressão", afirmou. O grupo anunciou que fará um novo ato contra o aumento das tarifas no dia 21, terça-feira da semana que vemOs outros dois protestos terminaram em confusão na semana passada quando o grupo chegou a estações de metrô. 

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