DANIEL TEIXEIRA/ESTADÃO
DANIEL TEIXEIRA/ESTADÃO

Terceiro ato contra tarifa tem confronto na Estação Belém do Metrô

Após funcionários fecharem estação, black blocs depredaram bilheteria; PM usou bomba em dispersão e 9 foram detidos

Bruno Ribeiro, Diego Zanchetta, Edgar Maciel, O Estado de S.Paulo

20 Janeiro 2015 | 23h05

SÃO PAULO - O terceiro protesto do Movimento Passe Livre (MPL) contra o aumento da tarifa de ônibus, trem e metrô terminou em confronto entre manifestantes e policiais militares na Estação Belém do Metrô, na zona leste de São Paulo, na noite desta terça-feira, 20. Black blocs tentaram invadir a parada. A Tropa de Choque revidou com bomba de gás no estorno da estação e nove manifestantes foram detidos.

A confusão começou logo após o fim da passeata, iniciada às 18h40 no Tatuapé. Funcionários do Metrô bloquearam as catracas da estação por volta das 21h30. Os detidos picharam paredes e depredaram a bilhetaria. Com mochilas carregadas com pedras, segundo a PM, eles foram encaminhados para o 8.º Distrito Policial (Brás-Belém).

Houve pânico entre passageiros do metrô. “Fique presa por meia hora fora da estação, enquanto tentava entrar no metrô. Vi dois jovens correndo para a bilheteria e tentei me esconder perto da grade”, contou Márcia Campos, de 42 anos, moradora de Itaquera, que trabalha como atendente no Belém.

O protesto, porém, começou de forma pacífica, na Praça Silvio Romero. Segundo o MPL, 8 mil pessoas participaram da caminhada contra o reajuste da tarifa de R$ 3 para R$ 3,50, em vigor desde o dia 6 deste mês. A PM estimou em 5 mil o número de manifestantes.

A primeira tensão foi registrada durante a definição do trajeto. “Não vamos deixar fechar (a Radial Leste). Se tentar, vamos dispersar a manifestação”, disse o capitão da PM Ubirajara Storai. Após negociação, o caminho foi liberado. O grupo seguiu pelas Ruas Serra do Bragança, Itapura e Serra do Japi e fechou a pista sentido centro da Radial Leste.

Pela primeira vez neste ano, a manifestação não foi realizada no centro da capital. “É um protesto menor, mas de mais contato com a população. A gente quer que a periferia se mobilize, compareça nos próximos atos”, disse Marcelo Homtinsk, um dos integrantes do MPL.

Apoio e crítica. A passeata percorreu as ruas dos bairros de classe média, recebeu apoio e também enfrentou críticas. Comerciantes que fecharam as portas mais cedo reclamaram do protesto. “Acho que tem coisas mais importantes para reivindicar, como a falta de vagas nas creches. Isso aqui já virou uma bagunça”, disse Douglas Moreira, de 52 anos, dono de uma paleteria.

Atendente de um pet shop, Lílian Batista de Oliveira, de 31 anos, disse que o MPL precisa renovar a pauta. “Eu iria para a rua se não fosse só pela tarifa. Esse não é meu maior problema. Hoje eu estou sem água em casa e ninguém se manifesta por isso”, afirmou.

Nivio Leandro Previato, de 68 anos, morador da Bela Vista, região central, foi à região só para participar da passeata. “Sem vir para a rua, a gente não consegue nada. Sou aposentado, não pago mais a passagem, mas saio da minha casa para que meus netos e filhos tenham transporte de qualidade.”

O MPL marcou novo ato, nesta sexta-feira, na frente do Teatro Municipal, no centro.

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