'Tentavam sair, mas a porta não abria'

Vítimas relatam pânico e confusão no socorro; não houve feridos graves, mas duas grávidas tiveram de ser socorridas e uma está internada

O Estado de S.Paulo

17 de maio de 2012 | 07h43

O medo em meio à confusão tomou conta dos passageiros depois do acidente entre os trens na manhã de ontem na Linha 3-Vermelha. Pessoas pisoteadas, ensanguentadas, gritaria e transtornos durante o atendimento às vítimas fazem parte dos relatos de quem estava dentro das composições.

Segundo balanço do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) e dos bombeiros, pelo menos 49 pessoas ficaram feridas, duas com gravidade - uma com fratura e outra com traumatismo craniano. Segundo as Secretarias da Saúde do Estado e do Município, no entanto, 106 foram atendidas em sete hospitais públicos.

Foi em um piscar de olhos que tudo aconteceu, segundo as vítimas. "Ouvi um barulho forte, mais alto do que o de um acidente de carro. O pessoal ficou muito nervoso e começou a descer por conta própria. Vi gente desmaiada e tendo convulsão. Mesmo com a minha perna machucada, tive de caminhar até a Estação Carrão para ser atendida", afirmou a bancária Lorelai Lemes Lourenço, de 23 anos.

A estagiária Thayane Pereira, de 22 anos, estava no segundo trem. O momento de maior tensão foi quando passageiros tentaram sair dos vagões. "As pessoas apertavam o botão de emergência, mas a porta não abria." A doméstica Carmem Lúcia Lopes, de 51 anos, disse que teve sorte, apesar das lesões. "Se o trem viesse na velocidade normal, não tinha sobrado ninguém", disse.

A analista de crédito Maria Aparecida de Farias, de 50 anos, foi jogada para trás, "sobre um monte de gente". Ela estava no penúltimo vagão do trem, e também se machucou. A preocupação, porém, estava com seus clientes no escritório dela na Rua Barão de Piratininga, no centro da capital. "Quem vai pagar pelo meu dia de serviço perdido?"

Grávida. Uma das passageiras do trem era Rosalina Mota Nascimento, de 37 anos, moradora de Ferraz de Vasconcelos. Grávida de três meses, Rosalina sofreu há duas semanas uma ameaça de aborto por causa de um descolamento ovular. Usava o metrô para ir ao médico que acompanha a gestação, quando, por causa do acidente, caiu de barriga no chão do vagão. Foi levada ao Hospital da Vila Matilde, na zona leste.

"Ela estava com cólicas, que pioraram depois do acidente", afirmou o obstetra Sérgio Ruiz. Segundo o médico, não houve sangramento, mas a gravidez, que já era de risco, pode se complicar ainda mais. Rosalina deve permanecer por três dias internada em observação. Outra mulher grávida foi atendida no Hospital do Tatuapé, mas recebeu alta ainda na tarde de ontem.

Táxi. Pelo menos seis funcionárias do Metrô acompanharam os feridos no Hospital do Tatuapé. Eles pagavam táxi para as vítimas voltarem para casa. Foi o caso da operadora de cobrança Fernanda da Silva Fernandes, de 26 anos. No início da tarde, ela esperava na calçada sua hora de ir embora. Ferida nas costas e na perna, Fernanda mal conseguia falar. Apenas chorava, ainda atordoada com o acidente de duas horas antes. / WILLIAM CARDOSO

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