'Tenho vergonha de ser brasileira', diz mãe de jovem morto

O promotorThales Schoedl é acusado de matar a tiros o estudante Diego Mendes Modanez em 2004

Cláudio Dias, de O Estado de S.Paulo,

27 de novembro de 2008 | 00h23

A quarta-feira foi de indignação e vergonha dentro de uma casa em São Carlos, a 232 quilômetros de São Paulo. Lá, morava o estudante Diego Mendes Modanez, 20 anos, morto com dois tiros pelo promotor Thales Schoedl, em 30 de dezembro de 2004, no litoral paulista. A absolvição do promotor deixou a família indignada. A mãe do ex-jogador de basquete, Sônia Mendes Modanez, 50, disse ter vergonha de ser brasileira e ironizou a decisão dos 23 desembargadores do Tribunal de Justiça.  Veja também:Schoedl é inocentado por unanimidade no Tribunal de JustiçaEntenda o caso do promotor Thales Schoedl Todas as notícias sobre o caso      "Eu fiquei com muita vergonha de ser brasileira. Sabíamos que seria uma briga muito difícil porque ele é promotor, é influente. Eu e principalmente meu filho somos peixe pequeno neste oceano. Mas, independente disso, o que me deixa mais magoada é eles (desembargadores) aceitarem que foi legítima defesa. Foi provado pelo legista que esse infeliz (promotor) não tinha marca nenhuma de agressão. Foi provado que meu filho quando sofreu o segundo tiro mortal estava no chão deitado ou ajoelhado e isso parece que esqueceram", diz a mãe. Sônia afirma que acreditava na Justiça e tinha convicção de que o promotor fosse condenado pelo crime de homicídio. "Agora tive uma certeza. Você já viu lobo comer carne de lobo? Eu nunca vi", diz a mãe do jovem assassinado afirmando que os desembargadores nunca iriam punir um promotor. "Eles (desembargadores) estão colocando um assassino de volta para os quadros da promotoria. E quem irá pagar o salário dele será nós." Indignada e emocionada com a decisão judicial, a mãe do jovem assassinado há quatro anos critica a Justiça: "O Estado está dando a chance de poder matar, mas, é claro, só pode se for rico. Se for rico, você pode sair alegando legitima defesa. Se for rico pode se esconder e, depois, se apresentar alegando legítima defesa. Parece que esqueceram que ele (promotor) deu 14 tiros e o meu filho nem uma pedra na mão tinha." Segundo o laudo, Diego foi baleado no antebraço e no peito.  "Eu queria dormir e nunca mais acordar. Se eu pudesse embarcaria para fora do País e nunca mais voltaria porque as leis são vergonhosas", diz Sônia afirmando que Thales Schoedl ganhou da Justiça um presente de Natal. E ela, por outro lado, desde que o filho morreu nunca mais comemorou a data. "Ele não vai escapar da Justiça de Deus e duvido que ele esteja tendo os sonhos dos anjos." Sobre o choro do promotor ao saber do resultado do julgamento a mãe do jovem assassinado ironiza: "Ele chorou lágrimas de crocodilo porque esse resultado estava pronto", questiona a mãe. Ela recebeu durante o dia uma série de e-mails e telefonemas de apoio de amigos. "As pessoas estão envergonhadas porque sabem que pobre se roubar leite fica seis meses preso, mas promotor pode matar e ficar livre. Ele foi absolvido, mas será sempre lembrado como um assassino", sentencia a mãe.

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