Tenente da PM é assassinado em casa

Oficial tinha 83 anos e foi achado anteontem com as mãos e o pescoço amarrados com tiras de pano; ele é o 80º policial morto no ano

ARTUR RODRIGUES, O Estado de S.Paulo

13 Outubro 2012 | 03h03

O tenente aposentado da Polícia Militar Irineu Marola, de 83 anos, foi encontrado morto em sua casa, na região do Tremembé, na zona norte de São Paulo, anteontem à noite. Ele é o 80.º policial militar morto neste ano.

Segundo a Polícia Civil, o aposentado foi achado caído de bruços no chão do quarto, com as mãos e o pescoço amarrados com tiras de pano. A vítima, que morava sozinha, tinha sinais de tortura e marcas de sangue no rosto e na boca. Só após o laudo da perícia, porém, será possível dizer como o tenente foi morto.

O caso foi registrado como homicídio qualificado. A polícia ainda não sabe dizer se a morte dele tem vínculo com a onda de assassinatos de PMs, alguns deles ordenados pelo crime organizado. A investigação será feita pelo Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), que apura outras mortes de PMs no Estado.

Vestindo short e camiseta vermelha, o corpo de Marola foi encontrado depois de a Polícia Militar ser chamada por uma vizinha que havia visto dois homens pulando o muro da casa. Baixo, ele não oferecia qualquer esforço de quem quisesse entrar.

Os policiais encontraram o interior do imóvel revirado - havia objetos e documentos espalhados pelo chão, incluindo o holerite do policial reformado. A casa ainda tinha várias lembranças do passado de Marola como PM, como um quadro em que ele está vestindo farda, pendurado na sala, e um antigo capacete da corporação, que estava no quarto.

A polícia não soube informar se algo foi roubado da casa. Nenhum familiar do idoso foi achado até a elaboração do boletim de ocorrência no 73º Distrito Policial para conferir se faltavam objetos na residência. Pessoas que conheciam o policial aposentado informaram que às vezes ele era visitado pelas filhas.

Solidão. Antigo morador do bairro, Marola era conhecido por todos. E havia sido vítima de violência recentemente. "Haviam entrado na casa dele há seis meses. Estouraram a cabeça dele com uma coronhada", disse um vizinho da vítima, que, por medo, pediu para não ter seu nome revelado.

Apesar de todos no bairro saberem que Marola era policial militar, o homem não acredita que essa tenha sido a causa da morte dele. "Ele era um idoso vulnerável e algum noia (viciado em drogas) deve ter aproveitado para roubá-lo de novo", disse.

Marola não costumava sair pelas ruas do bairro. O mais longe que ia era até o portão de casa. Também tinha o hábito de deixar a porta aberta e observar a rua sentado no sofá da sala. Na imagem do Google Street View, ainda aparece dessa maneira. "Ele era muito solitário", disse outro vizinho. "Sempre que o via, ele estava de pijamas. Várias pessoas do bairro o ajudavam, buscando as compras para ele."

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