Temporal para vias, trens e aeroporto

Queda de árvores causou falta de luz e interditou ruas, piorando a situação do trânsito na capital paulista; zona leste foi a mais atingida

CAIO DO VALLE, NATALY COSTA, TIAGO DANTAS , O Estado de S.Paulo

19 de fevereiro de 2013 | 02h04

A cidade de São Paulo sofreu ontem à tarde, mais uma vez, as consequências de um forte temporal. Ruas ficaram alagadas, trens pararam de circular, telhas voaram e o Aeroporto de Congonhas, na zona sul, fechou por uma hora. Dezenas de árvores caíram, algumas sobre a rede elétrica, o que deixou casas sem energia. Às 19h, o motorista enfrentava 173 km de congestionamentos.

Nos 18 primeiros dias de fevereiro já choveu mais do que o esperado para todo o mês. A média para o período é de 217 mm. Contando a chuva de ontem, a cidade já acumula 221 mm. Os meteorologistas preveem, para hoje, um dia muito quente e com chuva forte no fim da tarde.

"É o clima típico para esta época do ano. Faz muito calor durante o dia, e cai uma pancada de chuva forte no fim da tarde", afirma o meteorologista César Soares, da Climatempo Meteorologia. Antes da tempestade, a capital paulista teve o dia mais quente do ano. O Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) registrou 34 graus às 15 horas. O recorde anterior era de 33,3 graus em 14 de fevereiro.

A zona leste foi uma das mais afetadas. Na Mooca, a cobertura de parte da arquibancada do estádio do Juventus foi parar na Rua dos Trilhos. Do outro lado da via, o vento derrubou o telhado de um supermercado. Ninguém ficou ferido. Na Vila Prudente, a água cobriu parcialmente carros que tentavam passar pela Avenida Professor Luís Inácio de Anhaia Melo, perto do cruzamento com a Rua Amparo.

A Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) registrou ao menos 41 quedas de árvores na cidade. Uma delas bloqueou quatro faixas do corredor Norte/Sul, por volta das 19h, na altura do Viaduto Jaceguai. Para piorar o trânsito, 159 semáforos tiveram defeito no início da noite.

As rajadas de vento atingiram 65 km/h na região de Congonhas por volta das 16h30. O aeroporto ficou fechado entre as 16h15 e as 17h e das 17h05 às 17h21. Nesse período, voos retornavam para as cidades de origem ou foram desviados para Viracopos, em Campinas. Por volta das 18h, o motorista Alexandre Block, de 45 anos, aguardava três clientes, que vinham de Campo Grande, Rio e Vitória, mas não os encontrou. "Dois foram para Campinas e um voltou pro Rio. Vai ter cliente meu vindo para cá de ônibus", disse. Dos 228 voos programados para sair de Congonhas ao longo do dia, 34 atrasaram.

Trens. Passageiros da Linha 9-Esmeralda da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM) enfrentaram caos pela segunda vez em menos de uma semana. As estações entre Grajaú e Pinheiros chegaram a ser fechadas por funcionários para impedir a entrada de mais pessoas enquanto os trens não circulavam.

Segundo a empresa, por volta das 17h houve "um problema no sistema de alimentação elétrica dos trens" na área de Jurubatuba, na zona sul. A situação começou a ser normalizada às 18h. Mas entre Jurubatuba e Interlagos, as composições trafegavam em só uma via até as 20h. "Precisei recorrer ao ônibus para voltar para casa", disse a caixa Ana Carolina Souza, de 24 anos.

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