Fabio Motta/AE
Fabio Motta/AE

Temporal mudou a geografia da região

Desmoronamentos alteraram toda a bacia; Exército sobrevoa área para atualizar mapas

Paulo Sampaio, O Estado de S.Paulo

18 Janeiro 2011 | 00h00

NOVA FRIBURGO - Coordenador de engenharia no resgate às vítimas de Nova Friburgo, o presidente da Empresa de Obras Públicas do Estado do Rio (Emop), Ícaro Moreno Júnior, diz que as chuvas foram tão devastadoras na cidade que "mudaram o curso dos rios".

 

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"A bacia hidrográfica passou a ser outra, e isso altera também o ecossistema. Vamos ter de refazer o desenho dos rios nos mapas e acrescentar ilhas fluviais que nunca existiram. E não há como voltar ao traçado antigo porque muitos dos sobreviventes foram parar nessas ilhas."

Ontem pela manhã, homens do Exército começaram a sobrevoar as áreas atingidas para fotografar a nova geografia das cidades. As imagens captadas são depois inseridas em um programa de computador, que cria os mapas a partir desses dados. O Exército espera ter esses mapas impressos em no máximo 48 horas. "Os deslizamentos e as enchentes modificaram muito a geografia das cidades, principalmente nas áreas rurais. Isso traz dificuldade para as tropas se localizarem", diz o major Rovian Alexandre Janjar, do Exército.

Segundo Moreno, o desmatamento e a ocupação em área de risco deram sua contribuição, mas, "mesmo que fosse apenas a chuva sozinha, a catástrofe teria dimensões sem precedentes". "Os deslizamentos ocorreram mais até em áreas intocadas pelo homem."

Moreno afirma que a área mais atingida da cidade foi Córrego Dantas, às margens da estrada que liga Friburgo a Teresópolis. Ali, um riacho que tinha 4 metros de largura por 2m de profundidade passou a ter 100m por 8m. Ele nega que tenham ocorrido tremores de terra além dos causados pelos deslizamentos, como acreditam alguns moradores da região.

Alimentos. Os estragos causados na agricultura podem desabastecer o mercado fluminense de verduras e legumes por tempo indeterminado, segundo o presidente da Associação Comercial de Nova Friburgo - que também agrega hortifrutigranjeiros -, Cláudio Verbicário. "Os maiores fornecedores desses gêneros para o Rio são Friburgo e Teresópolis. E está tudo destruído", diz.

Verbicário diz que os prejuízos são incalculáveis, especialmente pelo tempo que a economia da cidade vai demorar para se reerguer. "O custo enchente é muito alto, não só em termos geográficos e humanos, mas para a economia local. Até a cidade entrar nos trilhos de novo, estamos perdendo fortunas por dia."

Os supermercados da cidade abriram parcialmente as portas ontem, alguns oferecendo preços mais baixos. No Casa Friburgo, o pão foi de R$ 5,80 o quilo para R$ 5,60. A maioria das lojas de roupas e móveis permaneceu fechada. Verbicário diz que os comerciantes dali em geral seguem o que ele chama de "semana inglesa": às segundas-feiras, só abrem as lojas ao meio-dia. A maior parte, porém, não abriu. / COLABOROU BRUNO TAVARES

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