Tiago Queiroz
Tiago Queiroz

Tempestade derruba 177 árvores, deixa 1 morto, 8 feridos e bairros sem luz em SP

A queda de uma árvore no Largo da Concórdia matou uma mulher; houve ainda registro de granizo. Ventos passaram dos 50 km/h

Edison Veiga, Fabiana Cambricoli, Fábio de Castro, O Estado de S.Paulo

16 Maio 2016 | 18h47

SÃO PAULO - Uma tempestade com rajadas de vento de mais de 50 km/h deixou nesta segunda-feira, 16, uma pessoa morta e pelo menos oito feridas em São Paulo. No Largo da Concórdia, na região central da capital, a queda de uma árvore matou uma mulher e feriu um homem e uma criança. O Corpo de Bombeiros registrou, ao todo, a queda de 177 árvores durante a tarde e a noite. Havia registros de falta de luz nos Distritos de Parelheiros e Grajaú, no extremo sul, e em bairros da zona oeste.

A menina de 2 anos, atingida no Largo da Concórdia, foi levada para o Pronto-Socorro da Santa Casa. Segundo os bombeiros, a criança sofreu intervenção intensa, de mais de uma hora, para recuperar sinais vitais. Às 21 horas, seu quadro era grave. Outro ferido no local foi um homem de 42 anos, socorrido pelos bombeiros, cuja situação clínica não foi divulgada.

No Viaduto do Chá, na região central, a queda de uma estrutura de vidro causou ferimentos leves em duas pessoas. O desabamento de um telhado na Rua Boa Vista, também no centro, deixou mais dois feridos leves.

Por volta das 21 horas, cinco horas após a chegada da chuva, o cenário na região das Avenidas Professor Alfonso Bovero e Doutor Arnaldo, na zona oeste, era de destruição. Em um raio de 200 metros, cinco árvores estavam no chão. Quase toda a área estava sem luz, com exceção da Paróquia Nossa Senhora do Rosário de Fátima, que tem gerador. Nem por isso, o padre deixou de sentir os estragos. “Ouvi um barulho e a fiação elétrica arrebentando. O fio de alta tensão queimou e clareou até o quarto onde durmo”, contou José Maria Botelho, de 47 anos.

Os moradores caminhavam com lanternas para conferir danos. “Em 30, 40 segundos, veio um vento muito forte que parecia um tornado. Na hora não dava para enxergar nem um metro adiante”, contou o comerciante Antonio Nunes, de 51 anos.

Susto. O gerente da padaria Real, João Pereira dos Santos, de 45 anos, disse que, se a ventania tivesse acontecido em um dia de maior movimento no estabelecimento, os danos poderiam ter sido ainda maiores. A marquise do local desabou. “Acho que nem foi nem um minuto e caiu tudo. Dois clientes ficaram feridos”, diz. Uma banca de jornal na frente da padaria desabou por causa do vento.

Perto dali, na Avenida Sumaré, uma árvore caiu sobre a pista na altura do 1.180. Diarista de um apartamento, Maria Eugênia da Silva, de 39 anos, tinha acabado de sair do trabalho. “Foi um susto. A Prefeitura deveria cuidar melhor dessas árvores. Toda chuva mais forte acontece isso”, criticou.

Em Perdizes, na zona oeste, a farmacêutica Luciana Souza, de 33 anos, chegava em seu apartamento pouco antes das 18h quando a rajada de vento começou, acompanhada de chuva. “Tive de subir sete andares de escada porque a luz acabou. Quando cheguei ao apartamento, o quarto e a sala estavam alagados. Tinha deixado as janelas fechadas, mas acho que o vento foi tão forte que abriu frestas, por onde a água entrou. Cheguei a pensar em tornado”, diz. A farmacêutica entrou em contato com a Eletropaulo e foi informada que a energia só seria restabelecida às 6 horas desta terça-feira, 17. 

Houve também chuva de granizo em diferentes áreas da capital. Segundo o Centro de Gerenciamento de Emergências (CGE), apesar do vento intenso, as chuvas foram rápidas e não causaram pontos de alagamento na cidade.

O CGE registrou 12 rajadas de ventos entre a madrugada e a tarde de ontem, com velocidades variando de 30,5 km/h a 57,4 km/h. Nessa velocidade final, as rajadas são capazes de derrubar grandes árvores e destelhar casas, de acordo com a Escala Beaufort de classificação de ventos. 

O vendaval foi registrado nos Aeroportos de Congonhas (zona sul), Campo de Marte (zona norte) e Cumbica (Guarulhos), além dos bairros de Santana (zona norte), Lapa (zona oeste) e Vila Mariana (zona sul).

“Quando há a aproximação de uma frente fria, os ventos ficam mais fortes por causa das diferenças de pressão e temperatura. Mas percebemos que a ocorrência de rajadas foi maior do que o normal”, afirmou o técnico em meteorologia do CGE Adilson Nazário.

Instabilidade e ciclone ampliam fenômeno

De acordo com os meteorologistas da Climatempo, as fortes pancadas de chuva e as rajadas de vento que causaram estragos na cidade de São Paulo foram provocadas por uma linha de instabilidade que se formou, no início do dia, na divisa entre São Paulo e Paraná, chegando à região da capital por volta das 16 horas.

Outro fator que contribuiu para aumentar a intensidade dos ventos foi o deslocamento, pelo litoral da Região Sul, de um ciclone extratropical considerado forte e de grande extensão. 

Uma hora depois, às 17 horas, uma chuva rápida acompanhada de ventos muito fortes já provocava queda de energia e prejuízos materiais em diversas áreas da capital. 

Uma linha de instabilidade, segundo a Climatempo, é um conjunto de nuvens densas, do tipo cúmulos-nimbos – cuja extensão vertical é maior que 15 quilômetros e se desloca de forma interligada, aumentando a intensidade dos temporais e potencializando os ventos. “É comum termos ventania e chuva forte na passagem desse tipo de sistema”, informou a Climatempo, logo antes do temporal. 

Além disso, depois de um domingo ensolarado, uma frente fria atingiu ontem o território paulista, deixando o tempo encoberto e provocando pancadas de chuva em todas as regiões do Estado. Uma frente com ar polar deve avançar ainda esta semana pelo Sudeste. 

Ressaca. De acordo com a Climatempo, o fenômeno também influenciou o clima no litoral do Sudeste, aumentando a possibilidade de ressacas e colaborando para o aumento da intensidade dos ventos.

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