Filipe Araújo/AE
Filipe Araújo/AE

Temporal castiga zona oeste de SP, que teve chuva de quase 1 mês inteiro

Passageiros de ônibus foram resgatados pelos bombeiros e mulher morreu em Carapicuíba; capital registrou 54 pontos de alagamento

Eduardo Reina, Cristiane Bomfim, Marcela Spinosa, Paulo Saldaña e Silvia Song, O Estado de S.Paulo

28 Fevereiro 2011 | 00h00

Em pouco mais de duas horas, a chuva forte que caiu em São Paulo deixou parte da cidade debaixo d"água. A tempestade inundou ruas, fechou túneis, paralisou trens e deixou pessoas ilhadas. Bairros da região oeste foram os mais atingidos e o Rio Pinheiros transbordou. Uma mulher morreu arrastada, após cair em um córrego em Carapicuíba. No meio do caos, uma grávida foi resgatada na Marginal do Pinheiros pelo helicóptero da PM.

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A chuva começou pouco antes das 14 horas nas regiões norte e leste da cidade. Às 15h35, toda a cidade estava em estado de atenção - condição mantida até as 17h50. Foram registrados 54 pontos de alagamento, 16 deles intransitáveis. Embora com menos intensidade, continuava a chover até o fim da noite.

Na região mais castigada, a oeste, choveu ontem quase o mesmo do acumulado do mês: 97,5 mm, segundo o Centro de Gerenciamento de Emergências (CGE). Até sábado, a cidade tinha registrado 143,2 mm de chuva - a média de fevereiro é de 217 mm. Butantã e Cidade Universitária registraram, juntos, 196,4 mm. Só a Lapa recebeu 112 mm.

Em um ponto já tradicional de enchente da zona oeste, a Avenida Pompeia, bombeiros resgataram de barco pessoas ilhadas em carros e ônibus. Em uma concessionária Toyota, a água superou as comportas e danificou três carros e computadores. "A loja nunca tinha alagado", disse o gerente, George Melissopoulos.

A Marginal do Pinheiros registrou mais de 10 quilômetros de congestionamento. Na Marginal do Tietê, a fila de carros chegou a 8. No centro, um empresário foi resgatado de bote pelos bombeiros no Túnel do Anhangabaú. O motorista furou o bloqueio da Companhia de Engenharia de Tráfego (CET). "Achei que daria para passar, mas começou a encher em menos de cinco minutos", disse ele, que não quis se identificar. Os Túneis do Anhangabaú e Jornalista Fernando Vieira de Mello foram fechados por volta das 15h e assim permaneciam até o fim da noite.

Segundo a CET, 60 semáforos pararam de funcionar e quatro árvores caíram - uma delas interditou a Avenida Pedroso de Moraes, em Pinheiros. A chuva ainda levou abaixo 30 metros do muro do Cemitério da Lapa. No Butantã, a parede de uma casa desabou. Ninguém se feriu.

Na Companhia de Entrepostos e Armazéns Gerais de São Paulo (Ceagesp), na Vila Leopoldina, a água também subiu, mas os alimentos não foram atingidos. O jogo entre São Paulo e Palmeiras, no Estádio do Morumbi, foi atrasado em 1h10.

A chuva interrompeu o funcionamento de três linhas da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM). A linha 8-Diamante teve o funcionamento interrompido às 15h05, por causa de um alagamento nos trilhos entre a Lapa e a Barra Funda. Só voltou a funcionar integralmente às 19h30. As linhas 7-Rubi e 12-Safira sofreram paralisações ao longo da tarde.

A situação também foi difícil para quem chegava a São Paulo. Houve alagamentos nas Vias Dutra e Anhanguera. Cinco cidades da Grande São Paulo - Osasco, Barueri, Taboão da Serra, Caieiras e Guarulhos - foram afetadas. O Rio Cotia, que corta Barueri, transbordou. Segundo a Defesa Civil, o Jardim Rochdale, em Osasco, ficou debaixo d"água.

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