Temporal bloqueia três rodovias na Baixada Santista

Na Anchieta, espera para chegar a Santos e São Vicente foi de 10h; em 20h, choveu o equivalente ao esperado para 20 dias do mês

Zuleide de Barros/Especial para o Estado, O Estado de S. Paulo

23 Janeiro 2015 | 22h25

SANTOS - As cidades de Santos, no litoral sul paulista, e São Sebastião, no litoral norte, foram atingidas por fortes chuvas de forma ininterrupta nos últimos dias. Em Santos, o temporal começou às 20h de quinta-feira, 22, e seguiu até as 8h de sexta-feira, 23, causando deslizamentos de morros, alagamentos em todos os bairros e a interdição da Via Anchieta por dez horas. Em São Sebastião, a chuva começou na quarta-feira e não parou. A Defesa Civil decretou estado de atenção.

Em Santos, a quantidade de água somou 174 milímetros de água, o equivalente a 20 dias de precipitação. Três estradas que levam à Baixada Santista ficaram comprometidas com as chuvas. Por conta de uma barreira que caiu no km 44 da Via Anchieta, a estrada foi interditada na noite de anteontem e o tráfego permaneceu interrompido até as 9 horas de ontem. Alagamento também bloqueou a Rodovia dos Imigrantes na entrada de São Vicente. A Padre Manoel da Nóbrega sofreu interdição na altura da Praia Grande.

A madrugada de sexta para sábado foi tensa em Santos por causa da forte chuva. A Defesa Civil do município destacou cem pessoas para desobstruir as vias públicas. Foram identificados 21 pontos de deslizamentos nos morros. A situação mais crítica foi registrada no bairro do Marapé, com a queda de um bloco rochoso do Morro de Santa Terezinha, que atingiu três residências, destruindo uma delas completamente. Uma grande jaqueira plantada no sopé do morro evitou que uma casa fosse arrastada. Os moradores conseguiram sair a tempo.

Também houve deslizamentos nos morros Nova Cintra, José Menino, São Bento, Monte Serrat, Caneleira, Fontana, Penha e Santa Maria. Para o fim de semana, a previsão é de chuva fraca, mas podem ocorrer pancadas mais fortes, segundo o meteorologista João Paulo Jardim Tavares, da Defesa Civil.

No bairro do Campo Grande, a garagem localizada no subsolo de um prédio encheu, atingindo pelo menos 20 carros. Os veículos foram retirados, mas acabaram danificados. 

O acesso ao Morro da Nova Cintra, bastante utilizado pelos motoristas que se dirigem à zona noroeste, também foi interditado e muitos trabalhadores não conseguiram chegar ao trabalho na manhã de ontem. A Santa Casa de Misericórdia de Santos teve alas inundadas.

Em Cubatão, o Rio Pilões voltou a transbordar, obrigando a população que mora nas proximidades a se abrigar em uma igreja durante a noite. A Defesa Civil do município encaminhou 200 colchões ao local, enquanto o serviço social fazia levantamento dos desabrigados, que perderam todos seus pertences. Há dois anos, moradores da região enfrentaram situação semelhante em decorrência do transbordamento do rio.

Litoral norte. Em São Sebastião, no litoral norte de São Paulo, foram registrados alagamentos nos bairros Cambury, Boiçucanga, Maresias e Barra do Sahy. Em Maresias, a água da chuva chegou a atingir um metro de altura em algumas ruas, mas, segundo a Defesa Civil, nenhum morador precisou ser retirado de casa até o momento.

Os rios que cortam os bairros da região sul de São Sebastião estão no limite, pois não encontram vazão no mar, já que a maré também está cheia e agitada. “Faltam alguns centímetros para a água entrar em casa”, disse a turista Fernanda Alegrete Soares, de 32 anos, que levou um susto ao chegar em sua residência de veraneio e encontrar a água da chuva batendo à porta. “Todo ano é assim, ninguém faz nada para resolver ou menos amenizar a situação.”

Segundo o chefe da Defesa Civil, Carlos dos Santos, o índice pluviométrico foi de 148 mm. 

Em Caraguatatuba, a chuva inundou um trecho da Rodovia Rio-Santos, na altura do bairro Porto Novo. As duas pistas no sentido São Sebastião foram tomadas pela água, que invadiu casas e estabelecimentos comerciais. / REGINALDO PUPO, ESPECIAL PARA O ESTADO

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