Temporal alaga Anchieta, Régis e parte de SP e ABC

Rio Tamanduateí transbordou, Congonhas fechou por 1 hora e ruas do Jardim Romano ficaram cheias de água

, O Estado de S.Paulo

01 Dezembro 2010 | 00h00

A forte chuva que atingiu São Paulo e o ABC paulista na tarde de ontem interditou rodovias, inundou trilhos de trem, fechou o Aeroporto de Congonhas e causou alagamentos em todas as regiões da capital. Transbordamentos do Rio Tamanduateí e de córregos no Ipiranga, na zona sul, e na Mooca, na zona leste, dificultaram o acesso às cidades do ABC e provocaram congestionamentos na capital.

Por volta das 15h30, todas as regiões da cidade estavam em estado de alerta, segundo o Centro de Gerenciamento de Emergências (CGE). Às 16 horas, a pista sentido São Paulo da Rodovia Régis Bittencourt foi bloqueada por alagamento em Taboão da Serra. O transbordamento do Ribeirão dos Couros, no ABC, provocou também a interdição da Rodovia Anchieta do km 10 ao 13.

Na capital, havia 16 pontos de alagamento às 16h30, 12 intransitáveis. No Ipiranga e na Vila Prudente, as Avenidas Abraão de Morais e Professor Luiz Ignácio de Anhaia Mello ficaram inundadas. Em São Bernardo e Santo André, carros ficaram submersos. Houve reflexo no trânsito da capital: às 17h50, eram 128 km de congestionamento na cidade, segundo a Companhia de Engenharia de Tráfego (CET).

O Aeroporto de Congonhas foi fechado para pousos e decolagens, entre 15h15 e 16h29, por causa da chuva - às 17 horas, 16 voos estavam atrasados. Trens deixaram de circular entre 16h10 e 19 horas na Linha 10-Turquesa da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM). Passageiros andavam nos trilhos ou foram transportados de ônibus.

Vias do Jardim Romano, na zona leste, ficaram alagadas. "A rua não escoa. Pode fazer 50 piscinões que não adianta", disse a moradora Vera Monteiro.

Recorrente. O Rio Tamanduateí é personagem recorrente de chuvas fortes. Isso porque deveriam estar em operação 46 piscinões em seu percurso, segundo o Plano Diretor de Macrodrenagem. Mas são apenas 17.

A calha atual do Tamanduateí foi projetada no anos 1970, com vazão de 480 m³ de água por segundo. Mas na foz no Rio Tietê esse volume sobe para 800 m³/s. "É essa a razão de tanta inundação. Sempre que chove, a água que sobra transborda", explicou Julio Cerqueira Cesar Neto, ex-presidente da Agência da Bacia do Alto Tietê.

Na divisa entre São Paulo e São Caetano, o Departamento de Águas e Energia Elétrica (Daee) vai construir um novo piscinão, no Córrego Jaboticabal, que deve minimizar alagamentos no km 13 da Rodovia Anchieta. O governo estadual previu utilizar neste ano no Programa Infraestrutura Hídrica e Combate a Enchentes cerca de R$ 388 milhões, dos quais R$ 259 milhões seriam aplicados na Região Metropolitana de São Paulo em ações para desassoreamento, construção de piscinões, canalizações de córregos e obras do Parque Várzeas do Tietê. / EDUARDO REINA, VITOR HUGO BRANDALISE e ANA BIZZOTTO

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