Tempo seco põe São Paulo em estado de alerta

Umidade relativa do ar chegou a 18% e só deve chover no fim da próxima semana; poluição aumenta risco de doenças respiratórias

, O Estado de S.Paulo

21 de agosto de 2010 | 00h00

O ar seco deixou a cidade de São Paulo em estado de alerta ontem pela primeira vez neste ano. A umidade relativa chegou a 18% por volta das 16h30, segundo o Centro de Gerenciamento de Emergências (CGE). Abaixo de 12% é considerado estado de emergência pela Organização Mundial da Saúde (OMS). Esse clima acentua a poluição e aumenta o risco de transmissão de doenças respiratórias e também de desidratação.

A tendência é que a seca continue nos próximos dias. Segundo o CGE, a última chuva ocorreu em 5 de agosto e a expectativa é que só volte a ocorrer no fim da semana que vem. A previsão é de sol, com baixas temperaturas na madrugada, em torno dos 10°C, e de rápida elevação ao longo do dia, superando os 28°C.

Segundo Eduardo Gonçalves, da Somar Meteorologia, a seca é típica do inverno, mas está mais forte neste ano por causa do fenômeno La Niña. "O La Niña provoca o esfriamento do Oceano Pacífico, deixando o ar mais seco no interior do País. Isso acaba atingindo o Estado de São Paulo", explica. "É o contrário do fenômeno El Niño, que ocorreu no inverno do ano passado."

Poluição. Por conta do ar seco, a poluição se acentuou. Segundo as estações de medição da Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb), a qualidade do ar se tornou inadequada em dois pontos da cidade, Ibirapuera e Mooca, por causa do alto índice de ozônio. No restante, estava regular.

No fim da tarde, a umidade do ar voltou a subir, reduzindo também a concentração de poluentes. A Defesa Civil Municipal tirou o estado de alerta após as 18 horas, e os níveis de ozônio começaram a baixar.

Doenças. O tempo seco afeta principalmente pessoas com doenças respiratórias, como asma, além de crianças e idosos. A população em geral pode apresentar sintomas como ardor nos olhos, nariz e garganta, tosse seca e cansaço. Também pode causar sintomas como dores de cabeça, inflamação na faringe e rompimento de vasos do nariz.

A baixa umidade do ar ainda aumenta o risco de contrair doenças como conjuntivite viral, alérgica e síndrome do olho seco.

Em dias de baixa umidade, recomenda-se reduzir o esforço físico pesado ao ar livre, principalmente quem tem doenças cardíacas ou pulmonares, idosos e crianças. Especialistas recomendam ainda beber bastante água e outros líquidos para evitar problemas de desidratação.

A Defesa Civil Municipal alerta também para que não seja colocado fogo em terrenos baldios e vegetação seca, pois a baixa umidade relativa do ar pode aumentar as chances de incêndio nas pastagens e florestas. Além de destruir a fauna e a flora, o fogo provoca o empobrecimento do solo e pode propagar-se.

Segundo o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), nos últimos dois dias foram registrados 541 focos de queimadas no Estado de São Paulo.

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