Tempo de alerta do semáforo para pedestre aumenta

Fase da luz verde será reduzida e a do vermelho piscante, ampliada, para que quem está a pé não precise correr na faixa

BRUNO RIBEIRO, O Estado de S.Paulo

26 Outubro 2011 | 03h02

Após dois anos de estudos, a Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) começou ontem um programa que vai mudar a lógica de todos os semáforos para pedestre da cidade. O tempo da luz verde será reduzido e o da luz vermelha piscante, indicando que o sinal vai fechar, será estendido. A ideia é garantir que, começando a travessia no verde, será possível conclui-la sem correr caso haja uma mudança de sinal no meio do percurso.

O primeiro teste é em um semáforo instalado anteontem no cruzamento das Avenidas Juscelino Kubitschek e Professor Geraldo Ataliba, no Itaim-Bibi, zona sul. Hoje, técnicos acompanharam a mudança pessoalmente e com o uso de câmeras da CET. Ainda sem data definida, o sistema será ampliado para a região central da cidade e, depois, para toda a capital. A mudança é mais uma etapa da Campanha de Proteção ao Pedestre, que reduziu em 7% o número de atropelamentos da cidade.

Para entender a mudança, é preciso compreender como o sistema funcionou até agora. O tempo do vermelho piscante é suficiente para concluir apenas a metade da travessia. Por exemplo: em uma rua cujo tempo necessário para a travessia é de 20 segundos, o semáforo fica 15 segundos no verde e cinco no vermelho piscante. Assim, se o pedestre começa a cruzar a rua no verde e não chegou até a metade do percurso, a única opção segura caso ocorra a troca de sinal é voltar para o ponto de origem - o que não ocorre com frequência, segundo admite a CET.

Agora, o tempo do vermelho piscante será suficiente para atravessar a rua por completo. Se o pedestre entrar na rua no verde, ele poderá completar a caminhada com tranquilidade, mesmo se a troca de sinal ocorrer. No exemplo da rua de 20 segundos: serão cinco no verde e 15 segundos no vermelho piscante.

"O pedestre terá a garantia de que conseguirá atravessar com conforto", diz a superintendente da CET, Nancy Schneider. O tempo que o pedestre tem para atravessar a rua não muda, o que muda é a janela de tempo para começar a travessia - que será reduzida.

Especialistas em trânsito concordam que a mudança traz mais segurança, mas fazem ressalvas. O professor de Engenharia de Trânsito da Fundação Educacional Inaciana (FEI) Creso de Franco Peixoto lembra a necessidade do uso de luzes nos cruzamentos e dá exemplos como avisos sonoros para indicar a liberação da travessia. "Em cruzamentos de muito conflito entre motoristas e pedestres há necessidade de passarelas", avalia.

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