Robson Fernandjes/AE
Robson Fernandjes/AE

Tempestade cobre de gelo ruas de Guarulhos

Quantidade de granizo além da esperada destruiu capôs de carros e coberturas de casas

Rodrigo Burgarelli, O Estado de S.Paulo

22 de setembro de 2010 | 00h00

Moradores das áreas atingidas estavam incrédulos após o fim da chuva. Por volta das 21h, blocos de gelo ainda se acumulavam nas ruas de Guarulhos, enquanto as pessoas comentavam sobre o fenômeno e contavam os prejuízos depois da queda de granizo.

Um deles era o empresário Marcelo Ferreira, de 38 anos. Ele é dono de uma loja de carros no bairro Picanço. O granizo destruiu boa parte do teto de zinco da sua concessionária, além de vidros, lanternas e capôs de seis carros. "Tive cerca de R$ 30 mil de prejuízo. Agora é saber se o seguro vai cobrir."

O dono de padaria Alípio de Oliveira Alves, de 40 anos, também amargou perdas com a chuva de granizo. Ele conta que sua loja teve letreiros e placas quebrados e que o vidro traseiro de seu carro acabou estilhaçado. "Foram mais ou menos 40 minutos de chuva, caindo pedras de até 6 cm. Quando terminou, eram dois palmos de gelo na rua. Nunca vi algo igual por aqui."

A alguns metros dali, a desempregada Eliane Rosendo da Silva, de 28 anos, moradora da Favela da Montanha, retirava de casa roupas, colchões, móveis e eletrodomésticos que molharam após o granizo romper o telhado de sua casa. "Moro com três crianças e nem sei onde vou dormir hoje. Perdi tudo que eu tinha." A faxineira Melina de Lourdes Araújo, de 29 anos, também teve o telhado de casa destruído. Ela mora em um barraco de madeira, que corria ontem o risco de tombar.

Os moradores da favela chegaram a empilhar e queimar pneus e móveis em uma avenida próxima, até serem dispersados pela polícia. O objetivo, segundo um jovem, era chamar a atenção para os danos causados pela chuva nas moradias da comunidade.

Fenômeno raro. O Corpo de Bombeiros registrou ao menos dez ocorrências referentes ao temporal de granizo em Guarulhos. Apesar de os meteorologistas considerarem a chuva de granizo normal, a quantidade de gelo que caiu ontem na cidade ocorre poucas vezes. "O nome mudou para Guariloche", brincou o meteorologista da Climatempo Marcelo Pinheiro, em alusão à cidade argentina de Bariloche. O granizo pode voltar nos próximos dias na Grande São Paulo.

A condição do tempo dos últimos dias colaborou com a formação de nuvens carregadas, com mais de 10 km de extensão e temperatura inferior a -50ºC - propícias ao granizo. A frente fria que passou pela Grande São Paulo no último fim de semana trouxe ventos marítimos que deixaram o ar da cidade carregado de umidade. O meteorologista André Madeira, da Climatempo, deixa claro que não caiu neve na cidade. "Para formar neve teria de ter muito frio, temperaturas muito baixas. Granizo são pedrinhas de gelo. A neve, cristaizinhos."

O engenheiro especialista em análise de risco do Centro de Gerenciamento de Emergências (CGE), Hassan Barakat, afirma que o fenômeno ocorreu também no Tatuapé, Penha, Vila Maria e Campo de Marte.

Piracicaba, no interior de São Paulo, registrou chuva forte e ventania. O Instituto Nacional de Meteorologia registrou uma rajada de 114 km/h, às 17hs. Em apenas 1 hora, entre 16h e 17h, choveu 30 mm, quantidade muito elevada para este período.

Cumbica. O mau tempo prejudicou o funcionamento do Aeroporto Internacional de Cumbica, em Guarulhos. Desde o meio da tarde, o terminal alternou as operações entre visuais e por instrumentos. Apesar disso, até o início da noite não havia registros de atrasos nem cancelamentos. / COLABORARAM NATALY COSTA, PAULO SALDAÑA, FABIANA MARCHEZI e PEDRO ROCHA

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