Temperatura? Não olhe os relógios de SP

Mesmo no frio dos últimos dias, muitos marcam mais de 30°C. E não há prazo para melhorar

Diego Zanchetta, O Estado de S.Paulo

03 de setembro de 2011 | 00h00

Quem tentou informar-se sobre as mudanças bruscas de temperatura em São Paulo nos últimos dias pelos relógios de rua acabou ficando ainda mais confuso. Deteriorados, sem manutenção e muitos apagados, os relógios apontam calor quando está frio e vice-versa. Alguns indicavam 32º C no início da manhã de anteontem, quando a maior parte das pessoas estava de casacos e a temperatura oficial era de 12º C.

E, mesmo diante do estado precário de parte dos 295 equipamentos espalhados pela capital, o prefeito Gilberto Kassab (sem partido) renovou por mais um ano, ao custo de R$ 1 milhão, o contrato com a empresa que administra os relógios. O aditivo foi publicado ontem no Diário Oficial da Cidade e prevê que a Buldogue Comunicação faça a manutenção dos relógios por mais um ano.

Dezenas deles estão sem funcionar há meses. O problema se arrasta desde o início da Lei Cidade Limpa, em fevereiro de 2007. Com o fim da exploração da publicidade nos aparelhos, as empresas argumentam não ter dinheiro para cobrir custos de manutenção. O vandalismo contra os aparelhos é outra justificativa.

Pelo contrato com a Prefeitura, a Buldogue recebe R$ 277 mensais para colocar cada relógio em funcionamento. A empresa não se manifestou ontem, mas seus representantes têm argumentado ao governo que a verba não cobre os custos de manutenção dos equipamentos.

Obsoletos. O próprio governo admite que "esses relógios são antigos e de tecnologia obsoleta". Segundo nota da Prefeitura, "o processador do relógio é o mesmo do videogame Atari e não possui peças para reposição no mercado, por isso muitas vezes a recuperação de uma unidade leva bastante tempo".

A Prefeitura diz que ainda aguarda aprovação da Lei do Mobiliário Urbano na Câmara de São Paulo para modernizar os equipamentos. A proposta autoriza o futuro concessionário a explorar comercialmente os aparelhos, com placas com o logo de empresas. O governo ainda ressalta que "muitos relógios são desligados por danos nas redes aéreas de energia, geralmente produzidos por caminhões com cargas com altura superior à permitida".

Precários

19 relógios de rua deixaram de funcionar e não foram repostos desde fevereiro de 2010. A maior parte foi danificada em colisão de veículos ou foi roubada em ações de vandalismo.

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