'Temos muita gente contra nós', diz pai de Alexandre Nardoni

Avô de Isabella conta como os irmãos mais novos da menina estão reagindo

Entrevista com

Silvia Song, Jornal da Tarde

21 de abril de 2008 | 12h13

'Dissemos para o Pietro que a Isabella virou uma estrelinha. Então, à noite ele olha para o céu e quer saber qual das estrelas ela é.' Essa foi uma das declarações que Antônio Nardoni deu exclusivamente ao Jornal da Tarde, na tarde de domingo, em seu escritório, em Santana, zona norte. O advogado tributarista, pai de Alexandre Alves Nardoni, comenta ainda a reação de seu filho e da nora Anna Carolina Trotta Jatobá diante da possibilidade da prisão preventiva. Leia abaixo a entrevista:Como o senhor vê o que está acontecendo com o seu filho?Acredito que o indiciamento não poderia ter acontecido, já que desconhecemos os laudos. Nossa família mantém a idéia de que eles são inocentes e temos identificado muitas irregularidades no inquérito. Houve prejulgamento por parte da própria polícia.Como eles estão lidando com tudo o que tem acontecido?Alexandre está realmente abalado e a Anna também porque é complicado dizer a verdade quando as pessoas acham que ele deveria confessar um crime que não cometeu. Se tivesse ocorrido algo eles já teriam dito, até porque teriam uma pena menor. Só lamentamos que as investigações não abriram um leque maior para investigar outras possibilidades. As investigações foram direcionadas para o mais fácil. A partir daí, Alexandre e a Ana já foram condenados e expostos como tal para o povo.O senhor realmente acredita na possibilidade da Isabella ter sido morta por uma terceira pessoa?Eu tenho dito sempre o seguinte: nós não sabemos quem poderia ser ou quais pessoas poderiam ser. A certeza que temos é de que poderia, sim, e seria perfeitamente possível outra pessoa ter entrado. Pedimos para ouvir pessoas que têm informações importantes e, para conseguir, fomos obrigados a fazer isso via judicial.O senhor acredita que foram ouvidas só as testemunhas que interessavam para a condenação?Sim, já que tivemos que pedir para o juiz determinar que fossem ouvidas testemunhas que ajudassem a esclarecer o caso. Só se ouve testemunhas de acusação, já as de defesa não são ouvidas. Você parte para a série de fatos que ocorreram nesse inquérito e vê realmente que ele está sob suspeição. Como confiar na condução de um depoimento por uma delegada que desde o domingo chama o meu filho de assassino? Isso é absurdo. As coisas são direcionadas para que eles fiquem presos, para que não tenham oportunidade para provar a sua inocência. Isso me deixa chateado.O senhor acha que outra pessoa poderia ter entrado no prédio?Temos absoluta convicção de que o prédio é inseguro, as provas estão no inquérito. Todas as possibilidades deveriam ter sido melhor justificadas, mas entendo que é mais fácil acusar a madrasta, que já tem um estigma, e o pai, já que foram os últimos que viram a menina. O povo esquece que era, sim, uma família feliz, como puderam ver no vídeo do supermercado.Como era a relação de Isabella com o pai e com a madrasta?Ela era amada, amava os pais e irmãos, adorava ficar com eles. Nunca criou problemas, era 'adulta', independente. Isso me magoa, quero ver quem matou minha neta preso e não um inocente preso. Sei o filho que tenho, estou certo de que nunca faria isso. É uma fase que temos de passar, uma provação. Tem muita gente contra nós, mas Deus é soberano.As duas crianças estão cientes do que aconteceu?O Cauã fez 1 ano agora e ainda não tem noção do que acontece, sente muita falta da mãe. E o Pietro, de 3 anos, chama muito pela irmã, pela mãe e pelo pai. São muito apegados. Dissemos para o Pietro que a Isabella virou uma estrelinha. Então, ele olha para o céu e quer saber qual estrela ela é.O senhor ainda vê a possibilidade de isentar o seu filho da culpa?O verdadeiro assassino não dá mais tempo de encontrar, mas vamos conseguir provar que eles são inocentes.Como eles estão com a possibilidade da prisão preventiva?Estão preocupados porque sofreram muito na cadeia. Ela apanhou das outras presas, está cheia de roxos. Ninguém quer voltar para a cadeia, mas nós sabemos que a polícia pode pedir a preventiva. Não vemos motivo para isso porque eles têm ajudado muito. Espero que os juízes tenham o bom senso de deixá-los com as crianças enquanto corre o processo.

Tudo o que sabemos sobre:
caso Isabella

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.